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RJ: Irmão diz que produtora de elenco foi "eliminada" por ser "impura"

Luana Diogo de Oliveira foi encontrada morta em sua casa, no Rio de Janeiro - Reprodução/Facebook
Luana Diogo de Oliveira foi encontrada morta em sua casa, no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Facebook

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL

25/07/2017 18h01

“Ela era uma pessoa impura.” Desta forma o jovem Pedro Luiz de Oliveira, 23, define a irmã Maria Luana de Oliveira, assassinada na manhã desta segunda-feira (24). Ele coloca a culpa do crime em membros de uma seita religiosa, mas a polícia não tem outros suspeitos.

Em um extenso depoimento feito à delegada Marcela Ortiz, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, Pedro conta que chegou em casa e encontrou sua irmã ferida. “Ele diz que tentou socorrê-la, colocou-a na banheira para tirar o sangue e ela o agrediu. Ele tinha marcas de unha”, conta a responsável pelo caso, em entrevista ao UOL. “Então, disse que deixou um bilhete com uma mensagem de que ia procurar quem fez aquilo.”

De acordo com a polícia, no entanto, sua versão não bate. A delegada explica que Oliveira não assumiu “expressamente” a autoria do crime, mas sabia quem o cometeu. “Ele falou que foi uma seita religiosa com sede em Israel, que ele chama de 'eles', da qual ele faz parte”, conta a delegada. “Ele diz que há diferença entre ser morta e eliminada. A primeira é para pessoas inocentes, a segunda, para impuras. Quando perguntamos o que a irmã dele era, ele disse: impura.”

Pedro foi encontrado no final da segunda-feira em uma casa que pertencia à família, mas estava a leilão, no bairro de Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. “Ele achou que ninguém o acharia lá”, conta Ortiz. “Encontramos com ele vários itens de compras que indicam que ele pretendia passar vários dias escondido. Entre eles, inclusive, havia o celular da vítima.”

O jovem foi autuado em flagrante, mas já foi feito o pedido de mudança para prisão preventiva, para que ele aguarde julgamento detido. De acordo com a delegada, não há indícios de que outra pessoa tenha participado do crime.

“Familiares chegaram a me falar de mensagens de texto dele falando com um perfil fake nas redes sociais, operado por ele mesmo, para mostrar indignação”, conta Ortiz. A delegada afirma ainda que é preciso fazer um exame para constatar legalmente se Pedro sofre de algum transtorno psicológico, embora não tenha apresentado um comportamento que indicasse isso. “Tanto que negou o assassinato.”

O crime

A produtora de elenco Maria Luana, 34, foi encontrada morta na casa em que morava com Pedro desde dezembro, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio. O corpo de bombeiros foi chamado ao local para atender a mulher. Quando os bombeiros chegaram à casa, constataram o óbito.

Luana foi morta com diversos golpes de um objeto perfurocortante, além de lesões causadas por itens contundentes e queimaduras de segundo grau, o que indica tortura.

Ela era mãe de duas crianças, que passavam férias com o pai, e trabalhava em uma agência carioca produzindo e recrutando atores.

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