"O carinho a diferenciava", diz professora de menina morta em tiroteio em GO

Eduardo Carneiro

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Pessoal/Polyana de Freitas

    Júlia Martins Rodrigues de Barros, de 4 anos, foi atingida na cabeça em tiroteio

    Júlia Martins Rodrigues de Barros, de 4 anos, foi atingida na cabeça em tiroteio

"Muito carinhosa". É desta forma que Polyana Maria de Freitas define Júlia Martins Rodrigues de Barros, de apenas 4 anos, vítima fatal de um tiroteio entre criminosos que ocorreu no último sábado no Conjunto Vera Cruz II, em Goiânia.

Polyana é professora na unidade do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) que Júlia frequentava e passava muitas horas por dia na companhia da menina. A relação entre as duas era especial.

"A Júlia se diferenciava pelo carinho dela. Sempre chegava de uma forma diferente, com vestidos de princesa, mostrando os vestidos... Na hora de sair, abraçava e beijava a todos", destaca a professora, que neste domingo foi ao velório se despedir da aluna.

"Foi muito difícil. Fui também professora do Arthur, irmão dela (Júlia era caçula de três irmãos). Os irmãos e os pais sofreram muito. A avó ainda não deu conta de ir pra casa", relatou, citando o local em que aconteceu o crime.

O luto da família é acompanhado pela comunidade do centro educacional. "As crianças ficam muitas horas no CMEI, às vezes mais até do que em casa. Então as famílias interagem muito, acabam ficando amigas, e todos sofreram com o que aconteceu", disse Polyana, que revela que a diretora da unidade também tinha um relacionamento diferenciado com a menina.

"A diretora não tem filhos biológicos e brincava com a Júlia, falando que a Júlia era dela. E a Júlia brincava também, chamando ela de mamãe Leninha, brincava que tinha uma segunda mãe. Hoje a diretora foi resolver umas questões na escola e estava arrasada. Vamos voltar (às aulas) na quarta-feira num cenário de tristeza", lamentou.

Arquivo Pessoal/Polyana de Freitas
Menina Júlia, de vestido rosa, foi morta a tiros dentro da casa da avó em Goiânia

O caso

Júlia Martins Rodrigues de Barros, de apenas 4 anos, foi morta no último sábado dentro da casa da avó no Conjunto Vera Cruz II, em Goiânia, ao ser alvejada durante um tiroteio entre criminosos.

De acordo com informações da Polícia Militar, quatro suspeitos foram até uma residência do complexo para fazer um "acerto de contas". Das três pessoas que estavam no local, um homem, identificado como Warlei, foi morto, uma jovem conseguiu se esconder e outro rapaz fugiu para uma casa na vizinhança.

Os suspeitos, então, invadiram a residência e continuaram atirando. Eles alvejaram não só o homem que procuravam (identificado como Fabiano, que veio a óbito) como também duas pessoas da família dona da casa que tentavam se proteger e nada tinham a ver com a ação.

Luiz Martins de Paiva, 32 anos, levou um tiro no braço, foi encaminhado ao hospital e logo recebeu alta. Já sua filha, Júlia Martins Rodrigues de Barros, foi atingida na cabeça e não resistiu. Ela foi velada e enterrada neste domingo na capital goiana.

O pai disse à TV Anhanguera que tentou proteger Júlia dos disparos. "Quando eu fui empurrar ela, senti a fisgada da bala entrando e saindo (do braço) e entrando no ouvidinho dela. Ela caiu junto comigo. A mesma bala que me atingiu matou minha filha", afirmou, dizendo que ficou "sem chão" ao ver a cena. "A gente só lembra das coisas boas, ela nunca fez coisas ruins. Era muito querida".

Investigações

A Polícia Militar informou nesta segunda-feira que dois suspeitos de participação no crime foram detidos. Um deles é um menor de 17 anos que foi encontrado com uma espingarda calibre 12 e quatro munições – uma perícia vai identificar se esta é a arma que matou Júlia.

Os agentes também prenderam uma mulher de 26 anos identificada como Priscila, que não participou da ação, mas teria dado cobertura para o acerto de contas que culminou na tragédia. Ela já tinha passagens por associação criminosa, tráfico de drogas e receptação.

Foram encontrados ainda pela Polícia Militar a quantidade de 3 kg de maconha na casa de Priscila, além do carro modelo Onyx usado pelos criminosos no tiroteio de sábado.

A Delegacia de Investigações de Homicídios de Goiânia (DIH) também acompanha o caso e ajuda nas buscas dos outros três envolvidos na ação.

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