"É impossível ter 100% de cobertura", reconhece Torquato sobre roubo de cargas no Rio

Giovani Lettiere

Colaboração para o UOL, no Rio

  • FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, reconheceu nesta terça-feira (1º), durante entrevista à imprensa no Centro Integrado de Comando e Controle, na região central do Rio de Janeiro, ser "impossível" controlar o roubo de cargas na capital fluminense e seu entorno. "É impossível ter 100% de cobertura o tempo todo", afirmou ele sobre crítica do Sindicarga (Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas).

O roubo de carga no Estado cresceu cerca de 25% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública. Ao todo, foram registradas 4.148 ocorrências entre janeiro e junho de 2016 contra 5.179 em 2017.

Em nota, o Sindicarga informou que o número de roubos no último fim de semana --o primeiro desde a presença de Forças Militares reforçando a segurança na cidade-- não foi alterado, somando 17 ocorrências. No domingo (30), o presidente Michel Temer disse, no Rio, que houve uma redução nos roubos de carga, o que foi negado pelo sindicato.

Agentes da Polícia Civil e da PRF (Polícia Rodoviária Federal) realizam nesta terça a Operação Tempo Zero, articulada para combater os sucessivos roubos a veículos de carga no Rio. Na ação conjunta, as equipes buscam cumprir 15 mandados de prisão nas favelas Furquim Mendes (em Duque de Caxias, Baixada Fluminense), Ficap e Dique (no Jardim América, bairro da zona norte da capital).

Até o começo da tarde de hoje, os resultados das diligências não haviam sido divulgados. Além de efetuar prisões, as equipes da PRF e da 39ª Delegacia de Polícia (Pavuna) fazem um mapeamento da área compreendida pelas três comunidades e também do entorno. Segundo a versão oficial, a região possui "grande concentração de autores de roubos de carga e de veículos".

Torquato também afirmou que poderá haver tropas das Forças Armadas durante a madrugada, reclamação atual dos cariocas por conta do aumento da violência. "É uma hipótese que está sendo considerada efetivamente", disse o ministro.

O ministro ainda divulgou o primeiro balanço da operação integrada das polícias e Forças Armadas para diminuir a violência que assola o Rio de Janeiro. "Não começamos o trabalho agora. Começamos no início de julho pelo fluxo de rodovias federais que cortam o Rio, nos corredores rodoviários com fluxo de mercadorias ilícitas, e realizamos muitas apreensões", disse o ministro, ao lado do secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Roberto Sá.

Torquato listou apreensões no fluxo de rodovias federais que chegam ao Rio em 23 dias de operações da PRF (Polícia Rodoviária Federal): 36 toneladas de maconha, 270 kg de cocaína, 32 kg de crack, 76 armas (entre fuzis e pistolas), 163 veículos roubados recuperados e 1.572 presos (em flagrante ou em cumprimentos de mandados).

Essas apreensões se deram nas regiões de Uruguaiana, Foz do Iguaçu e Cáceres, nas fronteiras com Paraguai, Argentina e Bolívia.

Sobre as operações militares no Rio, desde sexta-feira (28), o balanço ainda está sendo feito, mas o ministro está otimista. "O balanço é positivo, e faremos ajustes permanentemente, com muitas trocas de informações. Trabalhamos com inteligência, sigilo e a integração das três máquinas administrativa, da cidade, do estado e da União", explicou Jardim.

PF e Lava Jato

Questionado como a Polícia Federal manteria operações contra corrupção ante um corte orçamentário, Torquato reagiu e disse que o dinheiro descontingenciado seria suficiente até o final deste ano.

"Não houve corte no orçamento da Polícia Federal. Houve o descontingenciamento. O dinheiro que conseguimos é suficiente até o fim do ano com a liberação de R$ 70 milhões por mês com a melhora da arrecadação da União", afirmou o ministro.

Na semana passada, Torquato declarou que a Polícia Federal não teria dinheiro suficiente neste ano para realizar todas as operações. Com isso, a corporação precisaria selecionar as mais importantes, afetando o número de ações, inclusive da Lava Jato. Inicialmente, o contingenciamento da PF era de R$ 400 milhões.

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