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Ouvidor cobra "providências" do governo de SP após declarações de chefe da Rota

Julio Cesar Neves, ouvidor da Polícia Militar e da Polícia Civil de São Paulo - Jorge Araújo/Folhapress
Julio Cesar Neves, ouvidor da Polícia Militar e da Polícia Civil de São Paulo Imagem: Jorge Araújo/Folhapress

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

25/08/2017 13h54Atualizada em 25/08/2017 13h55

O ouvidor da Polícia de São Paulo, Julio Cesar Neves, afirmou que enviou, nesta sexta-feira (25), um ofício à SSP (Secretaria da Segurança Pública) cobrando "providências" a respeito da afirmação de que a abordagem policial nos Jardins é diferente da periferia, dita pelo comandante da Rota, Ricardo de Mello Araújo, em entrevista exclusiva ao UOL.

O secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, está em férias. Quem está à frente da pasta, interinamente, é Sérgio Turra. "Enviei à secretaria um ofício exigindo uma posição firme e que providências sejam tomadas", disse Neves à reportagem. Entre as "providências", o ouvidor cita "o repasse da informação à tropa de que todos os cidadãos são e devem ser tratados iguais e, caso sinta a necessidade, uma eventual troca no comando".

Na entrevista concedida ao UOL, Mello Araújo afirmou que o policial deve se adaptar ao território em que está. "É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele [policial] for abordar uma pessoa [na periferia], da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins [região nobre de São Paulo], ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado", disse.

"Da mesma forma, se eu coloco um [policial] da periferia para lidar, falar com a mesma forma, com a mesma linguagem que uma pessoa da periferia fala aqui no Jardins, ele pode estar sendo grosseiro com uma pessoa do Jardins que está ali, andando", completou o Mello Araújo, que está no comando da tropa de elite da PM de SP desde o dia 4 de agosto deste ano.

Abordagem nos Jardins tem de ser diferente, diz chefe da Rota

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Na quinta-feira (24), o ouvidor já havia relatado, à "Folha de S.Paulo", que a declaração "é anticonstitucional [em referência ao artigo 5º da Constituição, que diz que todos são iguais perante a lei], discriminatória e flagrantemente elitista". Ele afirmou que "o pessoal da periferia tem que ser tratado como o pessoal dos Jardins também é. Foi infeliz a declaração".

Nesta sexta, o ouvidor complementou afirmando que o comandante é "sincero", dizendo que "de fato, é isso o que acontece e São Paulo". "Em diferentes localidades, o cidadão ou suspeito, é abordado de maneira diferente". 

Além do ofício à SSP, o ouvidor enviou outro ofício à Corregedoria da PM questionando se, pelos argumentos do novo comandante da Rota, houve alguma infração no Código de Conduta da corporação. A reportagem do UOL questionou o corregedor da PM, o coronel Marcelino Fernandes, sobre o ofício enviado.

Fernandes informou que, por questões hierárquicas, não poderia se manifestar, exceto se o comandante-geral da corporação, Nivaldo Restivo, determinasse um posicionamento.

Ao telefone, a assessoria de imprensa da PM informou à reportagem, na quinta-feira (24), que comandante tinha sido "infeliz nas palavras". Na noite de quinta, a comunicação social da PM divulgou uma entrevista com o comandante, feita por uma policial, em que Mello Araújo se justifica sobre o que havia dito a respeito das diferenças em abordagens. 

"Abordagem da Rota é padrão, só muda a linguagem"

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"A abordagem, não só da Rota, mas da Polícia Militar, ela é padronizada. Nós temos procedimentos operacionais padrão. E explica, desde quando o policial ingressa na corporação, de como fazer essa abordagem. Então, a abordagem é padronizada, não só na Rota, na polícia inteira. Em qualquer local, ela é feita da mesma forma. Eu posso fazer uma abordagem na zona sul, na zona leste, na zona centro, ela é padrão, ela é padronizada", disse à comunicação social da PM.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (25), a corporação diz respeitar as opiniões pessoais de seus integrantes e que as ponderações do comandante "não interferem na doutrina institucional, nem tampouco em seus procedimentos operacionais padrão".

Até a publicação desta reportagem, a SSP não havia se posicionado sobre o assunto.

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