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Cracolândia é deslocada para terceiro lugar em três meses no centro de SP; 3 são detidos

A GCM (Guarda Civil Metropolitana), com o apoio da PM (Polícia Militar), realiza operação na manhã desta quinta-feira (31) na cracolândia, no centro de São Paulo. De acordo com o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), 70 policiais deram apoio à operação - Joca Duarte/Estadão Conteúdo
A GCM (Guarda Civil Metropolitana), com o apoio da PM (Polícia Militar), realiza operação na manhã desta quinta-feira (31) na cracolândia, no centro de São Paulo. De acordo com o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), 70 policiais deram apoio à operação Imagem: Joca Duarte/Estadão Conteúdo

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

31/08/2017 12h15Atualizada em 31/08/2017 14h22

Uma operação conjunta entre a Polícia Militar e a GCM (Guarda Civil Metropolitana), nesta quinta-feira (31), deslocou o fluxo de usuários da cracolândia de São Paulo para uma praça recém-reformada pela administração municipal na alameda Cleveland --a poucos metros de onde o fluxo estava, na mesma via, no cruzamento com a rua Helvétia. Segundo assistentes sociais ouvidos pela reportagem, a ação transcorreu pacificamente.

Este é o terceiro deslocamento dos usuários em três meses. O primeiro foi no dia 21 de maio, quando eles foram expulsos da região localizada entre o cruzamento da rua Helvétia com a alameda Dino Bueno, em uma megaoperação comandada pelas duas corporações.

A operação terminou com três pessoas detidas por tráfico de drogas --entre as quais, uma mulher detida com "grande quantidade" de entorpecente e dinheiro. O caso foi registrado no 77º Distrito Policial (Santa Cecília). Além dela, dois homens - um deles procurado pela Justiça - que estavam com cocaína foram apresentados ao Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil.

Na megaoperação de maio, que resultou na prisão de traficantes locais, o fluxo se deslocou para a praça Princesa Isabel, a cerca de 400 metros de onde estava. Na praça, os usuários montaram barracas que se multiplicaram ao longo de um mês. Da Princesa Isabel, retornaram à Helvétia --mas não mais no cruzamento com a Dino Bueno, e sim, com a Cleveland.

Ainda em maio, logo na sequência da operação, uma ação da Prefeitura para demolir imóveis que seriam usados nas imediações por traficantes acabou ferindo três moradores de uma pensão que foi parcialmente demolida, mesmo sem ter sido desocupada.

De acordo com a assessoria da PM, a operação de hoje de manhã, em apoio à prefeitura, serviu para que o fluxo fosse direcionado a um local que “já passou por reformas e pode recebê-los”.

A justificativa da polícia é que os usuários estavam “muito próximos à Duque de Caxias” e comprometiam tanto a segurança do “trânsito local, como também a passagem de várias pessoas que circulam pela região” --nas imediações da estação Júlio Prestes-- como a “saúde pública: o local está muito sujo e precisa ser limpo pela prefeitura”. Só pela PM, há mais de 70 policiais envolvidos na operação.

"Fisicamente, cracolândia acabou", disse Doria em mais de uma ocasião

Desde a ação em maio, o prefeito João Doria (PSDB) anunciou, em mais de uma ocasião, a suposta vitória da prefeitura em acabar com a cracolândia e o tráfico no local. Em junho, por exemplo, o prefeito defendeu que a concentração “acabou, sem a menor hipótese de voltar a existir".

"Fisicamente a cracolândia, onde existia, não existe mais e não existirá. Não há a menor hipótese disso”, defendeu o prefeito, à época, em entrevista coletiva na prefeitura. A área a que ele se referira era o ponto desocupado em maio.

“O que você tem ali [na concentração formada no cruzamento da rua Helvétia com a alameda Dino Bueno] é uma concentração de usuários e a tentativa frustrada do PCC [Primeiro Comando da Capital] --que é a facção criminosa que domina esta área --de reimplantar a cracolândia. Não vai conseguir, não há a menor hipótese de reconquistar aquela área, de reocupar prédios nem armar barraca”, reforçou o tucano.

* Com informações da Estadão Conteúdo

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