Fisiculturista morre em boate com histórico de violência em Belo Horizonte

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Enan Correia/Divulgação

    Interior da boate Hangar 677, em Belo Horizonte, que tem histórico de violência

    Interior da boate Hangar 677, em Belo Horizonte, que tem histórico de violência

O fisiculturista Allan Guimarães Pontelo, 24, morreu na madrugada deste sábado (2) dentro da boate Hangar 677, no bairro Olhos D'água, região do Barreiro, na zona sul de Belo Horizonte. A PM (Polícia Militar) informou que a morte do jovem aconteceu entre 4h e 5h.

A Hangar 677 tem 14 meses de funcionamento. Foi inaugurada em julho de 2016. Pelo menos dois outros casos de violência e agressões no estabelecimento foram registrados neste período.

De acordo com os policiais que fizeram a ocorrência, há duas versões sobre a morte do jovem. Seguranças da Hangar 677 relataram que Pontelo estava com drogas e teria sofrido um ataque cardíaco. O amigo que acompanhava a vítima disse aos policiais que os seguranças da casa forçaram a saída de Pontelo e ele morreu.

"A versão dos seguranças é de que o rapaz foi abordado com entorpecente. Depois sofreu um ataque cardíaco no local. Eles alegam que tentaram reanimar o jovem e não conseguiram", informou a PM.

Reprodução/Facebook
Causas da morte de Allan Pontelo estão sendo investigadas pela polícia
"Ele [o amigo da vítima] falou que estava no banheiro junto com o rapaz e que os dois foram abordados por alguns seguranças. Alan foi levado para um local isolado e forçaram a saída dele da boate. O amigo falou que saiu da casa para chamar o pai, quando retornou, o jovem faleceu", afirmou a corporação.

Ainda de acordo com os oficiais, "a blusa do Alan estava rasgada, suja, os dedos dos pés machucados e as costas arranhadas. Há sinais que pode ter havido uma luta corporal".

O corpo de Pontelo foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) da capital mineira. A perícia da Polícia Civil enviou técnicos para o local. As investigações ficarão sob responsabilidade da corporação.

O UOL ligou diversas vezes, entre 9h e 10h deste sábado (2), para os números de telefone fixo da Hangar 677 para comentar o caso, mas as ligações não foram atendidas. A reportagem continua tentando contato. O UOL também não localizou familiares do fisiculturista para comentar a trágica morte do jovem, mas eles postaram vídeos em redes sociais.

Em vídeo postado na manhã de hoje, a namorada do fisiculturista, Marcela Paiva, 20, chorando muito, acusa os seguranças da Hangar 677 pela morte do jovem. "Pegaram e bateram nele até a morte. Esses seguranças acham que podem fazer o que quiserem. O Brasil precisa acordar para isso. Essas pessoas não têm coração", afirmou.

"Mataram meu amor numa festa. Dentro da festa. A roupa dele está suja. Toda ensanguentada. Essa boate tem que ser fechada. Não tem motivo para matar uma pessoa. Por favor, Brasil, me ajuda", disse.

Também em vídeo, o pai do fisiculturista acusa os seguranças da Hangar 677 pela morte do filho."Foi assassinato. Que isso? É só ver a roupa dele como está... Imaginam três homens espancando meu filho até a morte", afirmou o pai de Pontelo, Dênio. "Pelo amor de Deus, só peço que realmente a Justiça mostre esse monstro para a sociedade. Principalmente o dono da festa que lucrou dinheiro".

 

 

Histórico de violência

Em setembro de 2016, o estudante de medicina Henrique Papini, 22, foi espancado depois de sair da Hangar 677. Papini estava acompanhado de dois amigos quando foi agredido. Com traumatismo craniano e de face e lesões em diversas partes do corpo, o estudante foi internado em um hospital em coma. As agressões foram flagradas por câmeras de segurança.

Rafael Batista Bicalho, 19, e Thiago Motta Vaz Rodrigues, 20, foram indiciados pelo crime de tentativa de homicídio por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vitima. O processo corre na Justiça mineira. Bicalho confessou o crime e disse que agrediu Papini porque estava com ciúmes dele com sua ex-namorada.

Em novembro do ano passado, Pedro Henrique de Oliveira Rocha, 22, foi agredido na boate Hangar 677. Rocha relatou o caso após ter dado entrada no bloco cirúrgico de um hospital, dizendo que havia ido ao estabelecimento, acompanhado da namorada e de alguns amigos, quando foi abordado e agredido no local. Sua mãe foi à polícia e fez um boletim de ocorrência.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o estudante circulava pelo local e teria passado entre duas mesas, antes de ser agredido de forma gratuita por um número não informado de pessoas. Atingido por uma barra de ferro, ele teve ferimentos graves no rosto.

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