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Na reta final do júri da maior chacina de SP, promotoria e defesa dão suas últimas cartadas

Julgamento de acusados de envolvimento em chacina na periferia de SP - ANTÔNIO CÍCERO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Julgamento de acusados de envolvimento em chacina na periferia de SP Imagem: ANTÔNIO CÍCERO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

22/09/2017 14h57

O julgamento de dois policiais militares e um guarda municipal acusados de participação na maior chacina da história do Estado está em sua fase final. Nesta sexta-feira, acusação e defesa estão apresentando seus últimos argumentos para tentar convencer os jurados.

As discussões estão focadas em três evidências principais: o suposto reconhecimento dos réus por um sobrevivente, o depoimento de uma testemunha e uma conversa de WhatsApp.

Segundo estimativa da juíza Élia Kinosita Bulman, o julgamento pode acabar ainda nesta sexta-feira (22), o quinto dia de júri. Nesta tarde devem acontecer a tréplica da defesa dos réus de Fabrício Eleutério, Thiago Henklain e Sérgio Manhanhã, a reunião do conselho de sentença e a divulgação da decisão do júri.

Ao todo, 23 pessoas foram mortas em 8 e 13 de agosto daquele ano nas cidades de Osasco, Barueri, Itapevi e Carapicuíba. O episódio ficou marcado como a maior chacina da história democrática de São Paulo.

Acusação

Segundo a Promotoria e a Polícia Civil, os assassinatos teriam ocorrido em retaliação às mortes de um policial militar e de um guarda municipal.

De acordo com relatório do TJM (Tribunal de Justiça Militar), os acusados integrariam uma milícia paramilitar. No dia 8 de agosto de 2015, seis pessoas foram mortas a tiros. No dia 13, outras 17 foram assassinadas, na mesma região.

A Promotoria vem dando ênfase às seguintes evidências:

Um dos réus, Eleutério, teria sido reconhecido por um sobrevivente da chacina.

Um familiar de Henklain teria relatado uma discussão do réu com sua mulher. Ela teria dito que reconheceu o marido em imagens registradas por uma câmera de segurança que mostram os autores da chacina atirando contra vítimas em um bar em Barueri.

Além disso, foi apresentada como evidência uma conversa no aplicativo WhatsApp entre Manhanhã e o policial militar Victor Cristilder Silva dos Santos, que também é acusado de participação no crime, mas será julgado em separado por ter recorrido. A conversa ocorreu antes, no meio e depois dos ataques a tiros.

Defesa

Em todo o processo, a defesa dos três réus alegou que seus clientes eram inocentes e não tinham envolvimento nenhum, seja de participação efetiva nos assassinatos ou em seu planejamento e apoio.

Nilton Nunes, advogado de Eleutério, argumenta que as provas colhidas pelo MP são fracas e que a testemunha que o reconhece apresentou diversas contradições durante o júri.

Abelardo da Rocha, que defende Manhanhã, diz que a troca de mensagens com Cristilder durante o período dos ataques, foi sobre o empréstimo de um livro.

Já Evandro e Fernando Capano, advogados de Henklain, afirmam que as provas são insuficientes e apelam aos jurados para darem o benefício da dúvida: "caso tenham dúvida, votem para menos do que para mais".

Votação

Os jurados terão de votar hoje no julgamento. "Sim" para a condenação, e "não" para a absolvição. A pergunta será: "você acredita que o réu concorreu com a prática dos 17 homicídios e de seis tentativas de homicídios em 13 de agosto?"

Na quinta-feira, o promotor Marcelo Oliveira se mostrou irritado com o fato do advogado de defesa Nilton Nunes ter revelado os nomes dos jurados em plenário. Isso não é proibido pelo Código de Processo Penal, mas causou sensação de insegurança, segundo o promotor.

Oliveira havia dito que trataria desse assunto durante a sessão dessa sexta-feira, mas depois afirmou que evitaria o assunto a pedido dos jurados.

Antes do julgamento, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que foi aberto processo de demissão contra seis PMs suspeitos de integrarem a milícia paramilitar envolvida na maior chacina do Estado, depois de intensa investigação, na qual foram ouvidas cerca de cem pessoas. 

"Os inquéritos da Corregedoria da PM e do DHPP foram concluídos com o indiciamento de seis PMs e 1 guarda civil. Posteriormente, a Promotoria ofereceu a denúncia contra sete indiciados. A Justiça Criminal de Osasco acatou denúncia contra quatro deles --os 3 PMs Fabiano Emmanuel Eleutério, Thiago Barbosa Henklain e Victor Cristilder os Santos, além do GCM Sérgio Manhanhã", afirmou a pasta, em nota. 

"A juíza rejeitou a denúncia contra os outros, que foram afastados do trabalho operacional", complementou, por meio de nota, a secretaria da Segurança.

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