Ex-secretário de Segurança diz não se sentir responsável pela crise no Rio: "Agora é fácil falar"

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Fábio Guimarães/Agência O Globo

    1.out.2015 - O então secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, durante cerimônia de premiação de policiais de UPPs

    1.out.2015 - O então secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, durante cerimônia de premiação de policiais de UPPs

O ex-secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame afirmou nesta segunda-feira (2) que não se considera responsável pela atual crise de violência na capital fluminense, sobretudo na favela da Rocinha, na zona sul carioca, onde foi necessário fazer um cerco militar para intervir em uma disputa entre grupos rivais pelo controle do tráfico de drogas.

Questionado sobre eventuais arrependimentos em relação a decisões tomadas no período em que ele esteve à frente da pasta, Beltrame declarou: "O que eu tinha de falar e o que eu tinha de fazer, eu fiz durante dez anos. Agora é muito fácil de as pessoas falarem". O ex-secretário ocupou o cargo entre 2007 e 2016, e sua gestão ficou marcada pela implementação da política das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

"Eu dediquei dez anos da minha vida ininterruptos a isso. De uma maneira muito intensa, sem fins de semana, sem priorizar família. Acho que a gente conseguiu resultados que pelo menos geraram esperança na população", completou ele, que esteve na tarde desta terça na Justiça Federal do RJ para depor como testemunha de defesa em uma das ações penais da Lava Jato contra o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

Beltrame também defendeu o atual ocupante da pasta da segurança pública e seu ex-subordinado, Roberto Sá, e disse ter "certeza de que ele está fazendo o possível e o impossível" para manter o "legado" de ambos.

"O que nós produzimos, o que nós fizemos e aquilo tudo que eu falei, eu fiz e mostrei durante dez anos. Está aí para vocês olharem", completou.

O ex-secretário opinou sobre o suposto impasse entre a cúpula da segurança pública do Estado e o Ministério da Defesa a respeito da participação e do planejamento de atuação das Forças Armadas no combate à criminalidade no RJ.

Por meio do Plano Nacional de Segurança Pública, a União enviou as tropas militares federais para realizar operações em território fluminense em apoio às polícias Militar e Civil. No entanto, durante a crise na Rocinha, houve um desentendimento público entre as autoridades envolvidas.

"Eu tenho a maior admiração e apreço pelas Forças Armadas. E acho que elas devem ajudar, sim. É só uma questão de sentar e conversar. Mas elas devem sempre ajudar", declarou.

Por fim, Beltrame disse considerar que a crise de violência no Rio de Janeiro não tem a ver com decisões supostamente equivocadas, e sim com as dificuldades orçamentárias do Estado, que amarga uma penúria financeira desde 2015, com atrasos no pagamento de salários do funcionalismo, dívidas com fornecedores, entre outros problemas.

"São vários aspectos, mas eu acho que tem muito a ver com a questão financeira", afirmou.

'Dever de cidadão'

A participação de Beltrame na audiência da 7ª Vara Federal Criminal do RJ, onde Cabral e outros réus respondem a ações penais decorrentes da Operação Lava Jato, foi rápida e com poucas respostas. Ao fim do depoimento, o ex-secretário de Estado de Segurança Pública afirmou que apenas "cumpriu o seu dever".

"A gente é arrolado para essas coisas. E, como cidadão, eu tranquilamente vim cumprir o meu dever."

O processo contra Cabral, objeto da audiência desta terça, diz respeito a crimes de superfaturamento e fraude a licitação em obras públicas do Estado, como a urbanização de favelas com recursos do PAC (Programação de Aceleração do Crescimento). Além de Beltrame, o governador do RJ, Luiz Fernando Pezão (PMDB), também prestou depoimento na tarde de hoje.

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