Policial Civil é preso acusado de participar de grupo de extermínio que matou mais de 50 no RN

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • iStock

Um policial civil e dois suspeitos foram presos nesta terça-feira (10) sob a acusação de participarem de grupo de extermínio que teria assassinado mais de 50 pessoas no município de Ceará-Mirim (região metropolitana de Natal), no Rio Grande do Norte. Segundo investigações, a maioria das vítimas foram mortas com tiros na cabeça, ao terem suas casas invadidas por homens mascarados.

A prisão do policial e dos dois suspeitos ocorreu durante operação do Ministério Público Estadual e da Força Nacional, que investigam a série de mortes.

O processo está em segredo de Justiça para não atrapalhar as investigações. Os nomes dos presos não foram divulgados e nem o número total de suspeitos de integrar o grupo de extermínio.

A suspeita sobre a existência de um esquadrão da morte na cidade começou depois que a polícia e o Ministério Público observaram que a maioria dos assassinatos ocorridos neste ano em Ceará-Mirim tiveram características semelhantes.

As vítimas foram mortas depois de ter suas casas invadidas por homens vestidos de preto e usando balaclavas para esconder os rostos, quase sempre nos mesmos horários. Os assassinatos ocorreram de forma brutal, em sua maioria, com tiros na cabeça e na região cervical. Além disso, a maioria das vítimas estava envolvida com atos ilícitos.

Em fevereiro, o UOL noticiou uma série de 13 mortes ocorridas depois do assassinato do policial militar Jackson Sidney Botelho Matos, 42. O PM foi morto com oito tiros à queima-roupa quando estava de folga em uma lanchonete da família.

Cerca de 48 horas depois do assassinato dele, 13 pessoas foram mortas em Ceará-Mirim. As vítimas foram atingidas por tiros na cabeça – característica de execução -- e, algumas, tinham perfurações de tiros também nos braços e nas mãos, o que sugere que houve tentativa de defesa durante a abordagem.

O Ministério Público Estadual não se posicionou sobre a possibilidade desta série de mortes estar relacionada ao grupo de extermínio.

O policial civil que foi preso trabalhava na delegacia de São Gonçalo do Amarante (localizada na região metropolitana de Natal), e, segundo as investigações, ele usava o cargo para praticar os assassinatos e prejudicar as investigações dos crimes.

Os três acusados foram denunciados à Justiça e suas prisões foram decretadas para garantir a ordem pública. "Isso devido à periculosidade do agente de polícia e à sua acentuada propensão para, em liberdade, praticar outros delitos", destacou o MPE.

O UOL entrou em contato com a Polícia Civil para saber o posicionamento da instituição sobre a prisão do agente de polícia e a suspeita de atuação dele no grupo de extermínio, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta.

O município de Ceará-Mirim tem 73 mil habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com dados do Óbvio (Observatório da Violência Letal Intencional), que registra o número de mortes violentas no Rio Grande do Norte, 126 pessoas foram mortas em Ceará-Mirim, no período entre 1º janeiro e esta terça-feira (10). No mesmo período, no ano passado, foram registrados 67 assassinatos em Ceará-Mirim. Enquanto, em 2015, também no mesmo período, foram 47 pessoas vítimas de mortes violentas na cidade. Este ano, 1.919 pessoas foram assassinadas em todo o Rio Grande do Norte.
 

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