Crivella diz que crise do Estado sobrecarregou Rio e nega que salários atrasarão

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • BRUNO ROCHA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

    Os prefeitos Marcelo Crivella e João Doria

    Os prefeitos Marcelo Crivella e João Doria

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), disse nesta quarta-feira (11) que medidas como a municipalização de hospitais e restaurantes populares, tomadas em meio à crise do Estado, sobrecarregaram as finanças da cidade. Ele também negou que salários de servidores serão atrasados.

A municipalização de alguns hospitais e restaurantes foi pedida pelo próprio município devido à falta de verbas do Estado para mantê-los funcionando normalmente. 

"Isso tudo foi uma dificuldade imensa, sempre na iminência de não poder pagar salário", disse Crivella, que participou de evento em São Paulo com o prefeito paulistano, João Doria (PSDB).

Apesar de tal quadro, o prefeito do Rio negou que haja risco de atrasos nos salários de servidores municipais, como ele mesmo chegou a cogitar em abril, caso o município não conseguisse renegociar dívidas. O prefeito disse que a situação está normalizada e fez um paralelo entre a situação do Estado e do município.

"O risco que nós tínhamos, graças a Deus, não se concretizou. O Rio de Janeiro não atrasou salário e não vai atrasar. O Estado atrasou muito, até agora não pagou 13º. Mas o município está conseguindo vencer a crise", afirmou.

Segundo pesquisa do Datafolha divulgada no sábado (7), o mandato de Crivella foi avaliado como ótimo ou bom por 16% dos eleitores da capital fluminense. Outros 39% consideraram a administração regular e 40%, ruim ou péssimo.

De acordo com o mesmo levantamento, só 3% dos eleitores da cidade do Rio avaliam como ótimo ou bom o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB). Outros 81% disseram que a administração do governador é ruim ou péssima e 16%, regular.

Crivella classificou sua avaliação na pesquisa como "muito boa, muito generosa", diante da crise do Estado.

SPTáxi e "Corujão Carioca"

O mote para o encontro público de Doria e Crivella foi o lançamento do aplicativo SP Táxi, a versão paulistana do Rio Táxi, cujo piloto foi lançado em junho.

Segundo o secretário de Mobilidade e Transportes de São Paulo, Sérgio Avelleda, uma versão teste do SPTáxi deve ser lançada em 90 dias.

"Não é sobre ser contra o Uber, mas a favor do táxi", disse o presidente da IplanRio (empresa de informática municipal), Fábio Pimentel.

Segundo Crivella, o uso do aplicativo será gratuito, ao contrário dos apps privados de transporte de passageiros, em que taxistas e motoristas dividem parte da receita com as empresas.

Além disso, os taxistas terão o poder de determinar se querem ou não conceder descontos para os passageiros, dentro de faixas pré-determinadas que vão de 10% a 30% do valor da corrida. Crivella e Doria disseram que, tanto no Rio como em São Paulo, o desconto ficará por conta do taxista, sem subsídios.

"Se o subsídio fosse dado pela Prefeitura, o taxista daria desconto de 100%", disse Crivella.

Doria, por sua vez, negou que os taxistas possam ter perdas com o aplicativo devido ao uso de descontos, "tanto no Rio de Janeiro, como em São Paulo". O secretário Avelleda, no entanto, disse que não há previsão de redução de taxas para taxistas na capital paulista, porque já "são muito baixas". Segundo ele, as existentes apenas servem para pagar os serviços prestados pelo DTP (Departamento de Transportes Públicos).

As prefeituras das duas capitais também contam com o aplicativo para gerar dados sobre as cidades. Uma das frentes é a geolocalização dos taxistas, para que haja mais conhecimento de como o serviço está distribuído pelos municípios. Outra é a existência de um recurso que permitirá aos motoristas informar sobre problemas da cidade percebidos em seus trajetos, como buracos e falta de coleta de lixo.

Doria também anunciou que visita o Rio no dia 31 para lançar a versão carioca do Corujão da Saúde, mutirão para desafogar a fila de procedimentos médicos que foi uma das principais bandeiras da campanha eleitoral do prefeito paulistano.

Mesmo com o Corujão, a saúde apareceu em pesquisa Datafolha divulgada na semana passada como o principal problema para os paulistanos, citado por 25% dos entrevistados.

Crivella, por sua vez, manifestou a esperança de que as cidades se unam para comprar remédios para a rede pública e, com isso, consigam preços mais baratos.

"A maior pressão das prefeituras hoje é na área da saúde", disse Doria.

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