Violência no Rio

Em ação com 2 mortos, polícia recupera fuzil roubado de delegado no Rio

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Divulgação/Polícia Civil

    Fuzil foi recuperado na rua Araújo Leitão, no Engenho Novo, na zona norte carioca

    Fuzil foi recuperado na rua Araújo Leitão, no Engenho Novo, na zona norte carioca

A Polícia Civil do Rio de Janeiro recuperou, em ação realizada na terça-feira (10), o fuzil 556 que havia sido roubado do delegado Marcus Amim, da DHNSG (Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo). O policial, autorizado a portar o armamento para proteção pessoal após ter o uso de um carro blindado suspenso por corte de custos, foi vítima de um assalto ocorrido no último sábado (7).

O armamento foi localizado na rua Araújo Leitão, no Engenho Novo, bairro da zona norte carioca, junto a outros equipamentos que haviam sido levados pelos criminosos, como carregadores e munição. Durante a operação, houve confronto entre traficantes e agentes das delegacias mobilizadas. Dois suspeitos foram baleados e morreram no hospital, de acordo com a Polícia Civil.

Participaram da ação policiais da DHNSG, da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da DRFC (Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas) e da DRFA (Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis). O trabalho foi coordenado pelo próprio Amim, que afirmou ao UOL, nesta quarta-feira (11), que a Polícia Civil ainda está à procura de outros itens roubados. As equipes estão nas ruas na manhã de hoje para cumprir novas diligências.

"Não vamos descansar enquanto não recuperarmos todos os equipamentos. Falta colete balístico, munição, pistola e distintivo", relatou ele.

As investigações identificaram que o crime teria sido praticado por traficantes do Complexo do Lins, na zona norte. Durante toda a terça, policiais estiveram em comunidades da região (Barro Vermelho, Árvore Seca, Morro do Amor, Morro da Cotia, Morro do Gambá e outras). Além de recuperar equipamentos, o objetivo era cumprir mandados de prisão.

Reprodução/Arquivo Pessoal/Facebook
Marcus Amim foi autorizado a portar um fuzil para proteção pessoal

"Essa não é uma resposta. É o papel da Polícia Civil. Estamos atrás de um equipamento caro, perigoso e que não pode ficar na mão de bandidos", comentou Amim.

O delegado foi autorizado pela chefia de Polícia Civil a portar um fuzil para uso pessoal depois de o seu carro blindado ter sido retirado. Segundo ele, o governo do Estado alegou corte de gastos para recolher o veículo. O aval para porte do armamento foi justificado por um relatório da Assinpol (órgão de inteligência da instituição), que registrou ameaças de morte contra Amim devido a investigações e prisões efetuadas nos últimos anos.

O fato se tornou público no sábado (7), quando criminosos abordaram o delegado e roubaram o carro dele --um Honda Civic, na rua Amaro Cavalcante, na Piedade, bairro da zona norte carioca. A arma de grosso calibre estava no porta-malas do veículo.

"Não é a melhor opção [o uso do fuzil], mas é o que temos. Eu passei por um processo administrativo para conseguir essa autorização, tenho treinamento, por isso concederam", disse ele.

Amim contou ainda que, por medida de segurança, ele e a mulher não costumam andar no mesmo veículo. No entanto, no último sábado, os dois estavam juntos porque ela emprestara o carro aos pais. O casal ia para a casa de parentes quando foi abordado.

"Minha esposa não gosta de armas, por isso elas estavam na mala. Nós saímos do carro assim que percebemos a aproximação do veículo. Um dos criminosos atirou contra mim. Foi muito perto."

O delegado e a mulher ainda precisaram correr e se abrigar em um condomínio da região. Um mototaxista levou o delegado até o 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar). Um cerco foi feito na região.

O carro foi encontrado, sem o fuzil, após ser abandonado na subida da Grajaú-Jacarepaguá --que liga as zonas norte e oeste da capital e que dá acesso às comunidades do Lins.

Procurada, a Polícia Civil informou que, mesmo com autorização do porte de fuzil pelo delegado, a Corregedoria Interna vai instaurar uma sindicância administrativa para averiguação disciplinar do caso.

O órgão não respondeu aos questionamentos do UOL sobre as medidas de proteção concedidas a policiais sob ameaça.

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