Menina de 2 anos morre queimada em incêndio em assentamento em Teresina (PI)

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Fábio Carvalho/ 180 Graus

    Corpo da menina foi encontrado entre uma cama e o fogão do casebre onde ela morava

    Corpo da menina foi encontrado entre uma cama e o fogão do casebre onde ela morava

Uma menina de dois anos morreu queimada em um incêndio que atingiu mais de 200 barracos do assentamento Oito de Março, localizado no povoado Chapadinha, zona rural de Teresina (PI), neste domingo (15). A menina Eloá de Sousa Vitória, 2, não soube sair de dentro de um casebre de palha que estava em chamas, onde morava com a mãe e um irmão.

Ainda não se sabe o que causou o incêndio. Testemunhas relataram que o fogo começou em um casebre de madeira, e o vento fez as chamas se alastrarem rapidamente e consumir as moradias, que eram de palha, madeira e barro. O terreno tinha 236 casebres, sendo que 219 deles ficaram destruídos com o fogo.

Um laudo pericial do Corpo de Bombeiros deverá ser entregue à Polícia Civil nos próximos dias. Durante o incêndio, a mãe da menina, Elane de Sousa, saiu do casebre de palha com Eloá e o outro filho, mas voltou à residência para buscar documentos que iria apresentar, na próxima semana, para tentar ser beneficiária do programa federal Bolsa Família. A menina acompanhou a mãe sem que ela visse e, depois, não conseguiu mais sair do barraco.

Abalada, Elane não quis falar com a imprensa. Vizinhos contaram que a mulher não viu quando a menina a acompanhou para dentro do imóvel e achou que a filha estivesse com o irmão maior numa área longe do fogo.

O corpo de Eloá de Sousa Vitória ficou carbonizado e foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros entre o fogão e uma cama de ferro. O corpo estava encolhido e coberto com restos de um lençol, talvez por uma tentativa da menina de se proteger do fogo. 

Ainda na tarde de domingo, quando o local foi resfriado, os restos mortais da criança foram levados para o Instituto Médico Legal de Teresina e submetidos a uma necropsia. A retirada do corpo da menina do local do incêndio foi feita com um carro de mão. Vizinhos criticaram o tratamento dado ao corpo da menina. A Prefeitura de Teresina informou que disponibilizou urna funerária para o enterro dos restos mortais de Eloá quando o corpo for liberado do IML.

Fábio Carvalho/ 180 Graus
219 casebres foram totalmente destruídos pelo fogo

Doações e moradia

Ontem, dezenas de famílias dormiram ao relento por terem perdido suas casas no incêndio. Outras pediram abrigo no assentamento 17 de Abril, que fica próximo ao local. Nesta segunda-feira (16), elas foram transferidas para um colégio do governo do Estado.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Piauí está pedindo ajuda para as vítimas do incêndio do assentamento Oito de Março e montou um ponto de arrecadação de doações. "Diante dessa tragédia, pedimos à sociedade piauiense, aos teresinenses e demais que nos ajudem com qualquer tipo de donativo: remédio, alimentação não perecível, roupa, calçado, forro de cama, qualquer donativo, porque as famílias perderam tudo". O local de entrega das doações fica no endereço Quadra 1, Casa 11, no bairro Redenção, na zona Sul de Teresina. Telefone para contato (86) 3218-3935.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural também pede apoio da população para doação de itens de higiene, toalhas, roupas, sapatos, móveis usados. O posto de coleta fica na rua João Cabral, número 2319. O telefone [e (86) 3216-2160. 

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas informou ao UOL, nesta segunda-feira, que o Centro de Referência de Assistência Social e a Defesa Civil Municipal de Teresina estão prestando assistência às vítimas do incêndio desde as primeiras horas do ocorrido. A secretaria informa ainda que, nesta semana, será realizado um mutirão para o cadastramento das vítimas, para que tenham acesso aos programas sociais do governo.

O governo do Estado disse que montou uma força-tarefa para prestar assistência às vítimas do incêndio e que, nesta terça-feira (17), vai se reunir com o MST, Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Interpi (Instituto de Terras do Piauí), Sesapi (Secretaria de Estado da Saude do Piaui), Corpo de Bombeiros e Defesa Civil para discutir outras medidas emergenciais, além de debater formas de prevenção de incêndio em outros assentamentos.

"Isso que aconteceu aqui pode acontecer em outros locais, então vamos buscar agir preventivamente, discutir ações, a questão da posse da terra, ações de orientação das famílias para que a gente possa ter esse olhar cuidadoso na área da prevenção", disse o secretário estadual de Administração, Franzé Silva.

A Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania está enviando alimentos, água e outros bens consumo imediato às famílias e disse que está procurando um imóvel no Piauí para abrigar as vítimas.

"Nós iremos fazer um levantamento se há algum prédio do Estado disponível nas imediações que possa abrigar temporariamente essas famílias. Caso contrário, alugaremos barracas, enfim, vamos conseguir uma solução, porém nossa preocupação de imediato é comida, água, roupa, filtros e isso será feito ainda hoje", afirmou o secretário de Assistência Social e Cidadania, Zé Santana.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos