Adolescente que ficou paraplégica ao ser baleada em escola de GO passa por nova cirurgia

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Cristiano Borges/O Popular/Estadão Conteúdo

    Mulher é consolada em frente ao colégio Goyases, em Goiânia, onde ocorreu a tragédia

    Mulher é consolada em frente ao colégio Goyases, em Goiânia, onde ocorreu a tragédia

A adolescente de 14 anos, que ficou paraplégica após ter sido baleada por um jovem da mesma idade, dentro de uma sala de aula, em uma escola de Goiânia, na última sexta-feira (20), vai passar por uma novo procedimento cirúrgico para a limpeza da membrana que reveste o pulmão, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital de Urgências de Goiânia nesta quinta-feira (26).

De acordo com o hospital, isso, no entanto, não significa que o estado de saúde da jovem, identificada como I.M.S., piorou. A cirurgia já estava programada para ocorrer. "O objetivo da cirurgia é acelerar a melhora clínica da parte pulmonar, que apresenta infecção decorrente do trauma. Como informado, a cirurgia foi agendada com antecedência e faz parte da estratégia de tratamento médico da paciente", informou o hospital.

Na manhã de ontem, o hospital informou que a adolescente havia ficado paraplégica em decorrência de um dos três tiros que recebeu e que atingiu sua coluna. "A adolescente apresenta uma lesão na medula espinhal, no nível da 10ª vértebra da coluna torácica, que comprometeu os movimentos dos membros inferiores de forma definitiva. A paraplegia já havia sido diagnosticada no dia de sua admissão, mas não informada até então a pedido de familiares. Ainda não há previsão de alta da UTI", afirmou o hospital.

A jovem continua consciente e o hospital avalia o estado de saúde dela como "regular". Além dela, uma outra jovem, que completou 14 anos na última terça-feira (24), também continua internada, sem previsão de alta, mas com estado de saúde "regular".

Nesta terça-feira (24), uma outra estudante, também de 14 anos, recebeu alta médica do Hospital de Acidentados, onde estava internada desde o dia 20, quando foi baleada pelo atirador.

O atirador, detido primeiro no Depai (Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais), foi transferido para um centro de internação na segunda-feira (23). Ele matou dois colegas de classe e feriu outros quatro. Ele pode pegar até três anos de detenção, segundo a polícia.

O jovem confessou o crime e afirmou que o cometeu por ter sofrido bullying pelos colegas. Ele disse à polícia que se inspirou nos massacres de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro.

Segundo o promotor Cássio Sousa Lima, o adolescente disse no depoimento estar arrependido e que planejou a ação como uma forma de retaliação. Ainda de acordo com o promotor, o pai, policial, relatou que a arma estava em local seguro e difícil de acessar. A mãe não esteve no depoimento porque foi internada, em choque, após o acontecimento.

No sábado (21), os corpos dos adolescentes João Pedro Calembo e João Vítor Gomes, vítimas do atirador, foram enterrados. Eles morreram na hora, dentro de sala de aula, depois de terem sido atingidos por diversos disparos à queima-roupa.

Durante o sepultamento, o pai de João Pedro, Leonardo Calembro, afirmou que, no momento, não se deve julgar o responsável pelo crime, e sim entender o que acontecer e perdoar. "Eu espero que toda a sociedade e os outros pais o perdoem pelo fato acontecido. Não devemos julgá-lo agora. Nós temos de entender e perdoar".

"Temos de entender e perdoar", diz pai de aluno morto

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