Briga de casal era comum e não chamou atenção de testemunhas antes de mulher matar amiga

Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Pessoal

    Andressa levou um tiro na região do tórax, não resistiu aos ferimentos e morreu

    Andressa levou um tiro na região do tórax, não resistiu aos ferimentos e morreu

Companheiro há 12 anos da atiradora Zilma Rodrigues do Amaral, Alexandre Antonio dos Santos negou em depoimento à polícia ser o dono da arma que matou a estudante de pedagogia Andressa Silva Gouveia, 22, na noite de sábado (28), em Mongaguá, litoral de São Paulo. Zilma sacou o revólver no quintal da casa e mirou em Alexandre, mas o tiro atingiu Andressa, que estava sentada.

Zilma e Alexandre têm um relacionamento conturbado, segundo testemunhas. O casal, no dia do crime, teve mais uma crise. O episódio em questão, por ser recorrente, não chamou a atenção dos convidados que passavam o fim de semana em uma casa alugada no balneário Vila Seabra, em Mongaguá, na cidade do litoral de SP.

O tiro foi dado por volta das 21h30 na piscina de uma casa alugada por casais de amigos. As pessoas conversavam no quintal quando Zilma e Alexandre, ambos de 38 anos, começaram a discutir. Ninguém deu atenção para a briga até que a mulher tirou um revólver da bolsa e tentou acertar o companheiro. O tiro, no entanto, acertou o peito de Andressa, que estava sentada em uma cadeira perto dos outros amigos, incluindo a filha do casal.

Ao UOL, o delegado do caso, Marcos Roberto da Silva, afirmou que Zilma ainda está foragida. Ela deve responder por homicídio doloso, com intenção de matar. "A tentativa de assassinar o companheiro foi intencional, o que houve é que ela acertou outra pessoa. Então ela não responderá por um acidente, mas pela intenção de matar."

De acordo com o delegado, Andressa não era amiga de Zilma. "Nem todos na casa eram próximos", contou o delegado.

Alexandre já prestou depoimento. Às autoridades, ele afirmou desconhecer as motivações da companheira. "Ele disse que a arma não era dele, que ela chegou de repente com o revólver e atirou", contou o delegado. "A arma era pequena e também está desaparecida."

Silva afirma que logo depois do tiro, um dos visitantes imobilizou Zilma e arrancou a arma de sua mão. A pistola, então, teria sido jogada para debaixo da pia de uma churrasqueira. Zilma, entretanto, fugiu pelo portão principal enquanto Andressa era levada para o pronto-socorro de Mongaguá no carro da atiradora. "Agora estamos investigando quem levou a arma", diz o delegado.

Segundo a polícia, Andressa, embora não fossem amiga íntima do casal, "frequentava o mesmo grupo de amizade". "São todos de Diadema, no ABC. Eles faziam confraternização entre casais, embora alguns tivessem mais amizade com uns do que com outros", conta.

Sobre o casal, o delegado afirmou que as testemunhas contaram que "era muito comum que brigasse", o que teria minimizado a importância da discussão que antecedeu o crime.

Depois de confirmada a morte de Andressa no pronto-socorro, o corpo foi encaminhado para perícia no IML (Instituto Médico Legal) de Praia Grande, também no litoral de São Paulo. O velório ocorreu em Diadema, no domingo (29), e o enterro está previsto para esta segunda-feira, na Bahia.

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