Em discussão, deputados se acusam de "defensor de bandido" e "imbecil"

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

Em um bate-boca no plenário da Câmara na tarde desta quarta-feira (8), quando eram debatidos projetos de segurança pública, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) mandou o deputado Marcelo Delaroli (PR-RJ) calar a boca e o chamou de "imbecil", depois de ser acusado pelo interlocutor de "defender bandido".

Os parlamentares discutiam um requerimento apresentado pelo PSOL para que um projeto que proíbe condenados por matar agentes de segurança de ter direito à progressão do regime de cumprimento de pena fosse retirado de pauta.

Contrário ao teor da matéria, Valente defendeu um projeto que acaba com o chamado "auto de resistência" – mortes em confrontos com policiais. "Para um país que tem uma das cadeias mais cheias do mundo e não tem socialização de presos, não adianta nada, isso é jogar só para torcida", declarou.

O deputado prosseguiu argumentando que "esse punitivismo só serve à propaganda de muitos que, na verdade, precisam desse discurso". "É aquela velha frase: tem gente que tem medo que o medo acabe", disse Valente.

Ele afirmou ainda que os autos de resistência servem para justificar o preconceito e o "racismo estrutural". "Para se chegar a uma juventude pobre e negra ser julgada pela aparência numa batida policial", completou.

Em tom exaltado, Delaroli usou a palavra para acusar Valente e o PSOL de ir "de encontro a todos os policiais militares do nosso Brasil".

"Chega dar nervoso ver quando um parlamentar do PSOL chega ali [na tribuna] e defende bandido como ele defendeu agora. Dá nervoso porque os policiais militares estão morrendo, estão sendo atacados a todo momento", discursou.

"Segundo eles, tem que esperar primeiro o criminoso atacar para ele poder contra-atacar. Isso tem que dar um basta. O PR vota não a esse absurdo que o deputado do PSOL acabou de falar naquela tribuna", concluiu.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu novamente a palavra a Valente. "Ou a gente faz um debate sério, um debate ponderado, com argumentos...", começou o deputado.

"Agora um deputado da bancada da bala vir dizer que o PSOL defende bandidos é uma desqualificação do próprio parlamentar. É que eles precisam falar para o público deles. Isso aí só leva a uma espiral de violência", afirmou Valente.

Nesse momento, Delaroli interrompeu e falou em outro microfone que Valente "defende bandido, sim". Os dois passaram a discutir veementemente e o deputado do PSOL cobrou que o do PR não viesse agredir o seu partido.

"Eu não lhe dou moral para isso. Cala a boca, porra, cala essa boca", gritou Valente. "Não estou faltando com respeito ao senhor não, deputado", respondeu Delaroli. Nesse momento, foi possível ouvir que o parlamentar do PSOL continuava a falar: "Cala a boca, imbecil".

O deputado do PR apontou o dedo para Valente e foi contido por outros parlamentares que se posicionaram entre os dois.

Maia então interveio, desligando os microfones do plenário e pedindo calma e paciência a todos. Em seguida, determinou que as expressões ofensivas trocadas pelos dois fossem retiradas dos registros da Casa.

Após a discussão, o líder do PR, deputado José Rocha (BA), fez um apelo a Valente e a todos os parlamentares por "um comportamento de civilidade".

"Não fica bem para nenhum de nós, e muito menos para o deputado Ivan Valente, que tem uma liderança e uma formação de educação privilegiada, que palavrões sejam proferidos aqui na Casa", declarou.

O deputado do PSOL respondeu dizendo não ter falado nenhum palavrão e que há muitos anos faz debate em alto nível na Câmara.

"Ninguém pode vir aqui dizer que o PSOL defende bandido. Isso é uma agressão. É jogar, inclusive, o partido contra as corporações policiais e contra a opinião pública. É desonesto politicamente [...] É muito mais grave que um xingamento que nós não fizemos", afirmou Valente.

Câmara vota "pacote" de medidas

Na noite desta terça (7), o plenário da Câmara aprovou dois projetos de leis que integram o pacote de medidas em votação na Casa referentes à segurança pública.

Um deles obriga as operadoras de telefonia celular a instalarem bloqueadores de sinal em presídios  e o outro extingue o atenuante de penas para pessoas entre 18 e 21 anos de idade que tenham cometido crimes. Ambos os textos seguirão para apreciação do Senado.

O projeto que motivou a discussão entre Valente e Delaroli foi aprovado no início da noite.

 Também devem ser votados projetos que preveem o fim da saída temporária de presos; a criação de cadastro nacional de desaparecidos; a criação do tipo penal de 'escudo humano' (criminosos que usam reféns nas ações); e a criação do crime de divulgação de cena de estupro.

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