Violência no Rio

Polícia reconstitui morte de comandante de batalhão atacado a tiros no Rio

Do UOL, no Rio

  • José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo

    DH utiliza na reconstituição o carro no qual Teixeira estava quando foi morto a tiros

    DH utiliza na reconstituição o carro no qual Teixeira estava quando foi morto a tiros

A Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza nesta quinta-feira (9) a reconstituição da morte do tenente-coronel Luiz Gustavo de Lima Teixeira, 48, comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar assassinado a tiros em 26 de outubro. O local do crime, a rua Hermengarda, no Méier, bairro da zona norte carioca, foi isolado para facilitar o trabalho dos agentes.

De acordo com o coordenador da DH, delegado Rivaldo Barbosa, o oficial morreu depois de reagir a uma tentativa de assalto e trocar tiros com os criminosos. A versão, no entanto, diverge da opinião do ministro da Justiça, Torquato Jardim, que declarou ao blogueiro do UOL Josias de Souza, em entrevista publicada em 31 de outubro, estar convencido de que Teixeira foi morto em um "acerto de contas".

"Esse coronel que foi executado ninguém me convence que não foi acerto de contas", afirmou Torquato. Essa e outras críticas contundentes relacionadas à segurança pública do RJ --para o ministro, a PM fluminense decorre de "acerto com deputado estadual e o crime organizado"-- provocaram revolta entre as autoridades locais.

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o secretário de Estado de Segurança Pública, Roberto Sá, rebateram. O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Jorge Picciani (PMDB), chegou a dizer que Torquato mente, é "irresponsável" e "age com má-fé". "Quando ele acusa todos os comandantes de estarem acumpliciados com o crime organizado, ele mente. A polícia tem punido os seus maus profissionais", disse.

Teixeira foi um dos 116 policiais militares mortos no Estado somente neste ano. Ele estava fardado e se deslocava em um carro descaracterizado. Na suposta tentativa de assalto, o automóvel foi atingido por 17 disparos. Um vídeo feito pouco depois da ação criminosa mostra que o comandante do batalhão do Méier estava fora do veículo quando foi socorrido por colegas, ferido.

A Divisão de Homicídios quer saber, portanto, se ele foi assassinado porque reagiu à abordagem dos suspeitos ou se acabou morto sumariamente por ter sido eventualmente reconhecido como PM, já que estava fardado.

Depois do crime, a PM realizou sucessivas operações no Complexo do Lins, conjunto de favelas situadas na área onde o oficial foi assassinado. De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos que participaram do crime saíram de comunidades dessa região.

Até esta quinta, apenas um deles foi preso: Matheus do Espírito Santo Severiano, 22. Ele teria sido reconhecido pelo cabo da PM que estava junto com a vítima no dia do crime.

O comandante do 3º BPM estava na corporação há 26 anos e era pai de dois filhos. Ele esteve à frente do batalhão por um ano e seis meses. Entre 2011 e 2014, o oficial trabalhou na Secretaria de Estado de Segurança Pública. A pasta informou que ele foi "fundamental na construção, criação de normas e gestão do CICC", em referência ao Centro Integrado de Comando e Controle, situado na região central da capital fluminense.

O corpo da vítima foi enterrado com honras militares no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na zona oeste carioca, em 27 de outubro.

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