Mulher é assassinada por ex-marido na frente de mãe e filha no RS

Luciano Nagel

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/ BM

    Local do assassinato de Juliana Fonseca Prestes, no bairro Mariani, em Caxias do Sul

    Local do assassinato de Juliana Fonseca Prestes, no bairro Mariani, em Caxias do Sul

Uma mulher de 31 anos identificada como Juliana Fonseca Prestes foi assassinada com cinco tiros pelo ex-marido, Sidnei Ferraz Martins, 48, em sua residência em Caxias do Sul, na serra gaúcha. O crime ocorreu por volta das 19h deste domingo (26) na rua Divo Soares da Rosa, situada no bairro Mariani, na periferia do município.

"Sidnei matou Juliana na frente da mãe e da filha dela, e depois atirou contra sua cabeça, mas não morreu. Foi muito cruel", detalhou a delegada plantonista Marinês Trevisan, da DPPA (Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Caxias do Sul).

Ele foi socorrido e encaminhado para o Hospital Pompeia, também em Caxias do Sul, onde permanece sob custódia da Brigada Militar. Seu estado de saúde é estável.

Segundo investigações preliminares da polícia, o casal vivia junto há pelo menos dez anos, e Martins teria cometido o assassinato porque não aceitava o pedido de separação da vítima.

"Sidnei era muito violento. Na semana passada, ele teria ameaçado Juliana de morte. A vítima chegou a registrar um boletim de ocorrência na delegacia pedindo medidas protetivas, mas a família não sabe dizer se a Justiça já deferiu o pedido ou não", afirmou a policial.

A arma utilizada no crime será analisada pela perícia assim como uma carta encontrada dentro do automóvel do autor do crime. "Está um pouco ilegível, mas dá para entender que ele tinha a intenção de matar a ex-companheira e se matar depois", declarou Trevisan.

Após receber alta médica, o autor dos disparos será encaminhado à DPPA para prestar depoimento e, posteriormente, conduzido ao Presídio Regional de Caxias do Sul.

Brasil é o 5º país que mais mata mulheres

Segundo o Mapa da Violência 2015, o Brasil tem a quinta maior taxa de assassinatos de mulheres do mundo. Entre 1980 e 2013, mais de 100 mil brasileiras foram mortas apenas por serem mulher, aponta esse estudo.

Na região sul, Rio Grande do Sul registrou 40 suspeitas desse tipo de crime de janeiro a junho de 2017 e 96 casos em 2016. O levantamento do Estado gaúcho, que mapeia feminicídios desde 2012, mostra que 463 deles foram consumados no Estado de 2012 a 2016.

Com o caso deste domingo, a cidade de Caxias do Sul chega a seis feminicídios em 2017, ultrapassando o total de assassinatos de mulheres do ano passado, que foi de cinco.

Segundo a promotora Valéria Scarance, do laboratório de Gênero do Ministério Público de São Paulo, o crime de feminicídio é cometido por familiares em 80% dos casos. "São os maridos, por exemplo. O homem feminicida é bastante violento: usa martelos, barras de ferro, madeira, socos, chutes".

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