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Índios voltam a ocupar fazenda de Geddel Vieira Lima na Bahia

Ex-ministro Geddel Vieira Lima em foto de janeiro de 2017 -  Alan Marques/ Folhapress
Ex-ministro Geddel Vieira Lima em foto de janeiro de 2017 Imagem: Alan Marques/ Folhapress

Mário Bittencourt

Colaboração para o UOL, em Vitória da Conquista (BA)

26/12/2017 22h09

Um grupo de 30 índios da etnia Pataxó Hã-hã-hãe ocupou no final de semana passado uma fazenda pertencente à família do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), em Itapetinga, no sudoeste da Bahia.

A ocupação na fazenda Esmeralda, de 643 hectares, ocorre dois meses após a mesma propriedade ter sido alvo de invasão por índios da mesma etnia, entre o final de setembro e início de outubro.

Os índios ocupam a fazenda dizendo que no local há antigos cemitérios indígenas, o que foi negado pela Funai (Fundação Nacional do Índio), segundo a qual não há demanda de estudos sobre habitação tradicional indígena na região.

“Enviamos equipes para o local e estamos tentando fazer com que eles deixem a fazenda de forma pacífica”, disse o subtenente da PM (Polícia Militar) Paulo Geonani Fagundes Ribas, segundo o qual não foi registrada ocorrência de violência na ocupação.

O caso está sendo acompanhado também pela Polícia Civil, segundo a qual a queixa de invasão à fazenda foi prestada na manhã desta terça-feira (26). “Não fizemos ainda diligência no local. O que podemos afirmar é que é o mesmo grupo que fez as ocupações anteriores”, disse o delegado Irineu Andrade.

O imóvel faz parte de um conjunto de doze fazendas que somam mais de 9 mil hectares e estão avaliadas em cerca de R$ 67 milhões. O primeiro título da propriedade é de 1937, época em que o Governo da Bahia fez doações de diversos títulos de terra na região.

Os advogados da família de Geddel não foram localizados para comentar o caso. O ex-ministro da Secretaria de Governo e Integração Nacional está preso preventivamente desde o dia 8 de setembro no Presídio da Papuda, em Brasília.

A prisão ocorreu depois de a Polícia Federal encontrar digitais do político em cédulas de dinheiro encontradas em um apartamento ligado a ele, onde malas guardavam mais de R$ 51 milhões.

Nova ocupação

Em outubro, uma semana após a ocupação na Esmeralda, índios e grupos ainda não identificados invadiram 25 fazendas na zona rural de Itapetinga, Potiraguá, Itarantim, Pau Brasil e Itaju do Colônia. Em sua maioria, eles estavam armados e levaram objetos das fazendas, como TVs, rádios, celas, arreios, facas e facões, além de fazer de reféns os funcionários.

Eles ainda bloquearam ainda a estrada com um caminhão quebrado para dificultar o acesso da polícia.

As fazendas passaram a ser desocupadas após uma ação conjunta das polícias Civil e Militar no dia 2 de outubro.

Durante a operação, em uma outra fazenda da família de Geddel, a Tabajara, em Potiraguá, um homem foi preso por porte ilegal de arma de fogo. Ele estava com uma espingarda escondido em um cômodo do imóvel. Na fazenda foram apreendidos uma espingarda sem cano, uma moto e dois veículos por irregularidades administrativas.

Reserva 

Na região, em território de Itaju do Colônia, existe a reserva indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, de 54 mil hectares. A área foi considerada de habitação tradicional indígena em 2012 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), numa ação que durou 30 anos, uma das mais longas do tribunal.

Foram índios dessa reserva que fizeram as ocupações anteriores e estão nessa de agora. Eles querem a ampliação da área para mais cerca de 130 mil hectares, baseados na Lei Estadual nº 1916 de 1926, que destinou na época 50 léguas quadradas para a preservação de recursos florestais e para a proteção de índios Pataxó, Tupinambá e outros que lá fossem encontrados. A área total desse decreto nunca foi demarcada.

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