Rebelião de presos em Goiás termina com 9 mortos; armas são apreendidas

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Sinsep-GO

    Foto mostra destruição após rebelião de presos em Goiás

    Foto mostra destruição após rebelião de presos em Goiás

Uma rebelião de presos ocorrida nesta segunda-feira (1º) em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana de Goiânia, terminou com pelo menos nove detentos mortos --um deles decapitado-- e 14 feridos, segundo informações divulgadas pela Seap-GO (Superintendência Executiva de Administração Penitenciária de Goiás). 

De acordo com o órgão estadual, três armas de fogo foram apreendidas dentro da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, local da rebelião. 

O governo informou que tiros foram disparados durante a confusão, mas não deu mais detalhes. Segundo a "Folha de S. Paulo", um dos detentos feridos está com uma bala alojada no ombro esquerdo.

A colônia tem cerca de 1.200 detentos, a maior parte deles em regime fechado. Ainda não se sabe como o armamento chegou dentro da unidade prisional. 

O presidente do Sinsep-GO (Sindicato dos Servidores do Sistema de Execução Penal de Goiás), Maxsuell Neves, disse que não há agentes penitenciários suficientes para controlar a colônia e revistar os presos.

"São 1.200 presos e cinco agentes penitenciários no plantão. Não tem como fazer o controle", disse.

De acordo com Neves, pelo menos 400 detentos da colônia têm direito ao regime semiaberto, quando o preso passa o dia fora da cadeia, mas precisa voltar à noite. O fluxo de entrada e saída de internos, aliado à falta de efetivo para revista, poderia ter possibilitado a entrada de armas de fogo.

Divulgação/Sinsep-GO
Foto mostra fumaça em local de rebelião de presos em Goiás
  

Briga entre "alas"

Segundo a Seap, a rebelião começou por volta das 14h, quando presos da ala C da colônia invadiram as alas A, B e D. O órgão estadual confirmou que pelo menos um dos detentos mortos foi decapitado. Presos incendiaram a unidade prisional e corpos ficaram carbonizados.

"Cortaram cabeça de preso, arrancaram coração de preso", disse Neves, do Sinsep-GO.

Segundo o presidente do sindicato, a rivalidade entre as alas se deve ao fato de elas serem ocupadas por presos de diferentes facções criminosas --no caso, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). A Seap não confirma se a rebelião tem relação com conflito de facções.

De acordo com o governo, 106 presos do chamado grupo de bloqueados --detentos que cumprem pena em regime fechado dentro da colônia-- aproveitaram a confusão e conseguiram fugir. Até as 19h46 (horário de Brasília), 29 presos haviam sido recapturados --77 ainda estavam foragidos. 

Segundo comunicado da Seap, outros 127 detentos saíram da colônia durante a rebelião, "mas retornaram tão foi restabelecida a normalidade no local."

O controle no local foi retomado pelo Grupo de Operações Penitenciárias Especiais, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, por volta das 16h.

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