Violência no Rio

Baleada no pé por tiro de fuzil no Réveillon pensou em deixar Rio: "imagina se fosse na cabeça"

Daniela Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    3.jan.2018 - Radiografia detecta projétil

    3.jan.2018 - Radiografia detecta projétil

A jornalista carioca Marcia Mendel, 37, foi atingida por um tiro de fuzil na noite de Ano-Novo enquanto brindava com a família na cobertura onde mora, no bairro Flamengo, no Rio de Janeiro. Ela disse ao UOL que pensou em deixar a cidade. 

"A gente fica meio refém no Rio. Não sei se tem outro bairro mais tranquilo. Todos estão sob o risco da violência. Foi um momento de medo e de agradecimento. Ainda bem que o tiro foi no pé, imagina se fosse na cabeça", afirmou.

Arquivo pessoal
3.jan.2018 - Marcia Mendel está internada há dois dias

O projétil que a atingiu foi disparado de um fuzil Kalashnikov, possivelmente de uma favela próxima. Uma hipótese investigada pela polícia é que traficantes de drogas atiraram para o alto para comemorar a chegada de 2018.

Marcia estava comemorando a virada do ano com os dois filhos pequenos e outros parentes quando sentiu uma forte dor no pé e percebeu que sangrava.

Primeiro pensou que havia pisado em um caco de vidro, mas não encontrou vidro quebrado no chão. A partir daí, segundo ela, começou a suspeitar que havia sido vítima de uma bala perdida.

Ela fez um curativo e decidiu buscar atendimento hospitalar na manhã de terça-feira (2). Mas os médicos não pediram exame de imagem e não identificaram a causa do ferimento imediatamente.

Somente depois de um novo atendimento, em um hospital diferente, a bala de fuzil foi detectada, alojada no pé direito.

Ao perceber que tinha sido vítima de bala perdida, Marcia disse que o primeiro pensamento foi de se mudar do apartamento, onde vive há quatro anos.

Arquivo pessoal
3.jan.2018 - O projétil de fuzil foi retirado em cirurgia

"Não vou passar mais Réveillon no meu apartamento. Nem em casa você está seguro", disse ao UOL, por telefone.

 A origem do projétil ainda é desconhecida. A jornalista prestou depoimento à polícia, ainda no hospital onde está internada. O caso foi registrado na 9ª DP (Catete), que abriu inquérito para apurar o ocorrido.

Constatada a presença do projétil, Márcia foi obrigada a retornar à emergência do primeiro hospital onde foi atendida. Foi submetida a uma cirurgia para a retirada da bala, e continua internada para evitar o risco de uma infecção.

Casada e mãe de crianças pequenas, Marcia lamenta o transtorno do Ano-Novo. "Era um momento que era para ser de festa e que transformou totalmente as nossas expectativas."
 
 

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