Assassino do jornalista Décio Sá mata detento durante banho de sol em prisão no Maranhão

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Divulgação / SSPMA

    Jhonatan de Sousa Silva (ao centro) confessou ter matado o jornalista Décio Sá

    Jhonatan de Sousa Silva (ao centro) confessou ter matado o jornalista Décio Sá

O assassino confesso do jornalista Décio Sá, Jhonatan de Sousa Silva, 28, que cumpre pena no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA), matou outro preso com uma faca improvisada, no domingo (7), dentro do complexo prisional.

Silva foi condenado em 2014 a 25 anos e três meses de prisão em regime fechado por matar a tiros o jornalista, em 2012, em um bar na avenida Litorânea, em São Luís.

Ele disse que matou o outro preso para não ser assassinado na prisão.

O assassinato de Sá gerou grande repercussão na época porque, segundo à polícia, foi motivado pelo trabalho que a vítima exercia como jornalista investigativo.

Sá tinha 42 anos e era repórter de política do jornal "O Estado do Maranhão", ligado à família do ex-presidente José Sarney (MDB). Ele também mantinha um blog muito popular no Maranhão que falava sobre crimes e notícias locais. Na época, a polícia disse que algumas reportagens desagradaram uma quadrilha de agiotas que teriam ordenado o seu assassinato.

Silva foi condenado por ser o pistoleiro que matou o jornalista, supostamente a mando do grupo criminoso. 

Ele cumpre pena em uma cela individual e, segundo a Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), aproveitou o banho de sol para matar Alan Kardec Dias Mota a golpes de espeto de ferro. A arma improvisada foi produzida com material retirado do banheiro da cela.

Ferido no peito, o detento chegou a ser levado para um hospital local, mas não sobreviveu.

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso.

Em seu depoimento, obtido pelo UOL, Jhonatan Silva alegou que matou Mota em legítima defesa, pois o rival já teria feito diversas ameaças de morte contra ele desde o ano de 2016, após um desentendimento durante um jogo de bola.

Silva afirmou que os presos contavam que Mota tinha planos de matá-lo e, por a vítima ser uma das lideranças da facção criminosa Bonde dos 40, tinha poder dentro da prisão.

Ele contou à polícia que ouviu um barulho semelhante ao amolar de uma faca quando estava dentro de sua cela, a F6. Achando que Mota iria matá-lo, já saiu para o banho de sol armado com um "chuço" (faca improvisada).

"A vítima havia ameaçado Jhonatan, por diversas vezes, que, inclusive, já tinha até falado para nós que estava sendo constantemente ameaçado pelo Alan Kardec. No próprio dia do ocorrido, outros detentos disseram para Jhonatan que naquele dia Alan iria lhe matar. Então, segundo ele, matou antes de ser morto", disse Berilo Neto, advogado do detento.

Reprodução/MB/Futura Press
O jornalista e blogueiro Décio Sá foi assassinado com seis tiros à queima roupa

O assassinato do jornalista

Sá foi assassinado na noite do dia 23 de abril de 2012, quando esperava amigos no bar Estrela D'Alva, localizado na avenida Litorânea, na capital maranhense. Dois homens chegaram em uma moto e um deles, Jhonatan de Sousa Silva, desceu do veículo e atirou cinco vezes contra Sá, que morreu na hora.

Doze pessoas foram denunciadas pelo MP (Ministério Público Estadual) em agosto de 2013 acusadas de participar no crime, mas a Justiça entendeu que apenas nove tiveram participação no assassinato. 

De acordo com a polícia, entre os posts do blog do jornalista estava o relato da morte do revendedor de carros Fábio dos Santos Brasil Filho, 33, assassinado após ser atingido por três tiros de pistola, no dia 31 de março de 2012, em Teresina.

No texto, Sá divulgou que Brasil Filho estava recebendo ameaças de morte devido a dívidas com agiotas e teria prestado depoimento à PF (Polícia Federal) para relatar as ameaças.

O grupo de agiotas teria então tramado a morte do jornalista para que ele não continuasse investigando seus crimes.

Marcos Bruno Silva de Oliveira, que ajudou na fuga do pistoleiro foi condenado a 18 anos e três meses de reclusão. O julgamento dos dois réus ocorreu entre os dias 3 e 5 de maio de 2014.

Os acusados de serem os mandantes das mortes do jornalista ainda não foram julgados.
 

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