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"Passaram quatro vagões em cima de mim; escapei por milagre", diz mulher empurrada em metrô de SP

Arquivo pessoal
Jussara Araújo de Souza, 23, escapou de ser atingida pelo metrô ao ser empurrada para os trilhos na estação Conceição, zona sul de SP Imagem: Arquivo pessoal

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

10/01/2018 13h22Atualizada em 10/01/2018 18h25

É quase um chavão quando se trata de sobreviventes de acidentes, mas, no caso da auxiliar administrativa Jussara Araújo de Souza, 23, o “pensei que fosse morrer” não poderia ser mais propício. Mãe de três filhos -de 6 e 4 anos, e um bebê de 11 meses --, Jussara teve 30 pontos na perna e hematomas pelo corpo depois de ser empurrada por um desconhecido na estação de metrô Conceição, da linha 1-azul do metrô.

O incidente foi registrado por volta das 14h40 dessa terça-feira (9) quando a jovem, que atua no setor de treinamentos de uma rede de fast food, estava a caminho do trabalho, na praça Marechal Deodoro (região central). Ela esperava o trem na plataforma e acabou empurrada pelo auxiliar de limpeza Sebastião José da Silva, 55, preso em flagrante.

Passageira se salva após ser empurrada no metrô

Ao ser empurrada, Jussara foi parar no fosso sobre o qual trafegam os vagões. Nem deu tempo de se mexer, contou ao UOL nesta quarta-feira (10). Ela chegou a ser encaminhada ao hospital municipal Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara (zona sul), mas foi liberada ontem à noite com 30 pontos no ferimento causado na perna, além de um hematoma na cabeça e outras marcas pelo corpo. O médico que a atendeu no hospital público deu atestado recomendando dois dias de afastamento do trabalho: ontem e hoje.

“Nem tive tempo de me mexer, que o metrô chegou. Do jeito que eu caí, fiquei. Na hora eu pensei: ‘morri’. Aí passaram quatro vagões em cima de mim e constatei que escapei por um milagre”

Jussara Araújo de Souza

“Porque, do jeito que ele [desconhecido] me jogou, era para o trem ter passado por cima de mim”, disse.

Jussara afirmou que não conhecia o agressor e negou que ele tivesse dito algo, a ela, antes de empurrá-la. “Foi Deus que me salvou, não tenho dúvida. Mas o que me impressiona é como que uma pessoa dessa, aparentemente com problemas mentais, passa pelas catracas do transporte livremente. Não consigo mais me sentir segura pegando metrô, tanto que eu deveria ter ido hoje à delegacia [à Delpom, na estação Barra Funda] e não consegui, porque tenho que pegar de novo o metrô e não tive coragem”, explicou.

Arquivo pessoal
Jussara teve 30 pontos na perna e hematomas pelo corpo Imagem: Arquivo pessoal
 

Ela e o marido, que é entregador de pizza, moram em Americanópolis, região sul da capital paulista.

O que sente em relação ao auxiliar de limpeza que a atacou? “Não tem como explicar ainda o que eu sinto. Vi as imagens hoje do que ele fez e entrei em desespero. Mas quero justiça, porque, se ele fizer de novo com alguém o que ele fez comigo, pode ser que essa pessoa não tenha a mesma sorte que tive.”

A auxiliar administrativa se disse agradecida pelas pessoas que buscaram ajudá-la, ontem, tentando acalmá-la, segurando o agressor para que ele fosse preso e acionando os funcionários da estação.

O que espera daqui em diante? “Estudei até o terceiro ano do ensino médio. Minha meta é só continuar viva e conseguir criar meus filhos”, concluiu.

Agressor está preso

A Polícia Civil informou que Silva alegou que passa por problemas pessoais e se vingou na vítima. Ele foi indiciado por tentativa de homicídio.

Segundo a assessoria do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), o preso passa hoje à tarde por audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda (zona oeste de SP) para análise do flagrante --poderá ser solto ou ter a prisão preventiva decretada.

A reportagem não localizou responsáveis pela defesa do auxiliar de limpeza.

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