Homem é preso por morte brutal de indígena em SC; motivo seria brincadeira com cão

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • Divulgação/Polícia Civil

    Gilmar César de Lima (c) é preso por suspeita de assassinato de um líder indígena em SC

    Gilmar César de Lima (c) é preso por suspeita de assassinato de um líder indígena em SC

A polícia prendeu nesta sexta-feira (12) o principal suspeito pela morte do indígena Xokleng Marcondes Nambla, 36, professor e líder comunitário brutalmente espancado em Penha, no litoral catarinense, no dia 31 de dezembro. Ele morreu no dia seguinte em decorrência dos graves ferimentos no crânio.

Gilmar César de Lima, 23 anos, foi encontrado às 6h30 escondido na casa da irmã, em Gaspar (a 48,7 km de Penha). A operação envolveu mais de 40 policiais. Segundo a Policia Civil, ele não reagiu e assumiu a autoria do crime.

Douglas Teixeira Barroco, delegado responsável pela investigação, contou que o criminoso foi facilmente identificado pelas imagens da câmera de uma loja de materiais de construção da avenida Eugênio Krause, a principal da cidade praiana, onde o indígena foi encontrado desacordado e com sangramentos.

No vídeo cedido à polícia, um homem aparece com um pedaço de madeira na mão. Ele vaga pela rua, inquieto, até cruzar com Nambla. Os dois conversam rapidamente. O indígena dá as costas e vai embora, mas é surpreendido com uma pancada na cabeça, cai no chão e continua a ser espancado. O criminoso foge.

"Foi uma morte absurdamente banal, uma violência gratuita e inacreditável. É difícil até de entender", afirmou Barroco. Segundo ele, o vídeo mostrou ainda que o indígena chamou a atenção de um cachorro, em tom de brincadeira, que estava atrás da cerca de madeira de uma casa na mesma rua. "Então, o criminoso que estava alcoolizado e havia consumido drogas foi atrás dele e o espancou mais de 30 vezes", contou o delegado. Ele disse que o suspeito afirmou não ter gostado que a vítima "mexeu com o cahorro".

Gilmar César de Lima já era foragido por outro crime, homicídio qualificado – pelo qual não chegou a cumprir pena –, e tinha passagens na polícia por roubo, furto, lesão corporal e receptação. Ele teve sua prisão preventiva decretada no dia 4 de janeiro pela morte de Marcondes Nambla. Desde então, oito mandados de busca foram expedidos, e sua foto chegou a ser divulgada na imprensa local.

O delegado-geral adjunto da Polícia Civil em Santa Catarina, Marcos Ghizoni, declarou que "Marcondes foi morto por motivo fútil". Lima não tem advogado. Um defensor público será designado para cuidar do seu processo na Justiça.

Reprodução/Facebook

Professor era liderança forte na aldeia

Marcondes  Nambla era casado e  tinha cinco filhos. Era formado no curso Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), e pertencia à Terra Indígena Laklãnõ-Xokleng, em José Boiteux, no Vale do Itajaí (a 161 km de Penha). Ele era uma das lideranças indígenas da comunidade, dividida em oito aldeias, cada uma com seu próprio cacique.

O indígena dava aulas e tinha o projeto de ingressar no mestrado em Antropologia para estudar sobre a infância Laklãnõ neste ano. Também era diácono da Assembleia de Deus, tocava guitarra na igreja e ensinava violão às crianças Xokleng.

Nesta quarta-feira (10), mais de 200 indígenas Xokleng de José Boiteux fizeram uma cerimônia religiosa e um protesto em Penha. Uma lança foi cravada no local do crime em memória do professor.

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