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RN tem fim de semana violento após saída das Forças Armadas

Beto Macário/UOL
2.jan.2018 - Soldados do Exército fazem patrulhamento em Natal Imagem: Beto Macário/UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

15/01/2018 12h08Atualizada em 15/01/2018 12h10

O primeiro fim de semana após a saída das Forças Armadas e retorno dos policiais às ruas no Rio Grande do Norte foi marcado pela violência. Entre a sexta-feira (12) e o domingo (14) foram 28 assassinatos registrados no Estado. A operação "Potiguar III", que foi comandada pelo Exército, foi encerrada na sexta-feira.

Durante os 22 dias de aquartelamento dos PMs, 148 pessoas foram mortas no Rio Grande do Norte, levando a uma média de 6,7 mortes por dia. Após a chegada dos homens da Forças Armadas, no dia 29, a média de homicídios caiu e, durante a presença militar, foi de 5,3 mortes diárias. Nesse fim de semana a média foi quase o dobro: 9,3 mortes por dia.

Das mortes desse fim de semana, 15 ocorreram no sábado, quando foi registrado um triplo homicídio em São Miguel do Gostoso, no litoral Potiguar. A cidade com mais mortes foi Mossoró, com cinco assassinatos, superando a capital Natal, que teve quatro casos.

Os dados são do Obvio (Observatório de Violência Letal Intencional), ligado à Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido) e que contabiliza os crimes de morte no Rio Grande do Norte. "O Rio Grande do Norte chega ao número de 81 mortes matadas nas duas primeiras semanas de 2018, e somente não supera 2017 por devido ao Massacre de Alcaçuz ter acontecido no dia 14 daquele ano", cita o instituto. Em janeiro de 2017, 27 presos foram mortos em Alcaçuz.

Já na madrugada dessa segunda-feira (15), um sargento da Polícia Militar foi morto com tiros durante uma festa em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. Segundo a polícia, um grupo passou atirando e ainda atingiu outras duas pessoas, que sobreviveram. O crime, entretanto, não entra nas estatísticas do fim de semana.

"Não existe estratégias de policiamento na maioria dos lugares, até mesmo porque não existe nem efetivo suficiente para dar conta da criminalidade que correu desenfreada ao longo de 2017”, diz o coordenador do Obvio, Ivenio Hermes. Segundo ele, a alta já era uma tendência possível e esperada.

“Por isso, nos lugares onde se tenta trabalhar nessas condições mínimas, sem uma estratégia definida pela gestão de segurança, resulta num serviço baseado em empirismo de experiências pessoais que não se adequam ao modelo criminal atual.”

Crise

O Rio Grande do Norte vive uma crise financeira e ainda deve o 13º salário a todos os servidores e parte do salário de dezembro a uma parcela do funcionalismo. 

Para retorno das polícias ao trabalho, o Estado pagou o salário de dezembro na última sexta-feira (12) e entregou mais de 100 novos carros alugados às duas corporações.