Moradores de Belo Horizonte denunciam ataques de bala de borracha

Fabiana Marchezi

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Facebook

Moradores de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, vêm denunciando pelas redes sociais alguns ataques de balas de borracha disparadas por armas de pressão. Geralmente, são balas de airsoft – esporte de ação que simula situações de combate. Os atiradores ainda são desconhecidos e as policias Civil e Militar têm conhecimento dos casos apenas por terceiros e pela imprensa, sem nenhum boletim de ocorrência registrado para poder abrir investigação.

Disparos vêm sendo relatados há cerca de uma semana e já teriam deixado ao menos seis pessoas feridas em ações rápidas, em locais de grande circulação de pessoas. O caso mais recente foi o da estilista Camila Lanna, 29  anos, atingida por três balas de airsoft nas pernas. O ataque aconteceu no início na noite da última terça-feira (16), na Rua da Bahia, centro da  cidade.

Ao UOL, Camila disse que na hora levou um "baita susto",  mas que já está tudo bem. Pelo Facebook, ela fez um desabafo bem humorado e contou que foi atingida quando estava a caminho do trabalho. "O tipo de coisa normal que acontece todo dia na vida de pessoas normais como eu-mesma-Camila-Mello, não é mesmo?", escreveu. 

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A empresária também  relatou que chorou "mais de raiva que de dor",  além  de se perguntar "por que cargas d'água alguém faz isso". Camila ressaltou no post  que não procurou um médico nem a polícia porque não achou necessário e até por pensar por pensar que não adiantaria. "Ardeu, ficou um pouco dormente e inchado mas agora já está tudo bem", completou.

Nos comentários da publicação, há vários  pedidos de desculpa de praticantes de airsoft. "Isso é atitude de bandido e este indivíduo merece ser tratado como tal", escreveu um internauta.

Para a vice-presidente do ICP (Instituto de Ciências Penais), a advogada Carla Silene Cardoso, a maior dificuldade em casos como os de Camila é identificar o atirador, já que as vítimas não procuram as autoridades policiais. "Como esse tipo de arma não se enquadra no Estatuto do Armamento, as vítimas acabam deixando passar por acharem que não há nenhum tipo  de punição para o atirador", lamenta Carla.

Ela ressalta que existe, sim, punição para esse tipo de comportamento e por isso é preciso buscar as autoridades para que os autores sejam localizados. Segundo a vice-presidente do ICP, o responsável pelos tiros fora do ambiente recreativo podem responder por lesão corporal leve, grave e gravíssima. Caso, por uma  fatalidade, os tiros atinjam algum órgão vital e vítima morra, ele responderá  por lesão corporal seguida de morte, cuja pena pode chegar a 12 anos de prisão,  ressalta a  advogada.

A especialista explica que até o fim do ano passado, a arma era vendida apenas com autorização do Exército, mas atualmente qualquer pessoa com mais de 18 anos pode comprá-la.

A Secretaria de Segurança de Belo Horizonte recomenda que as vítimas procurem as autoridades para que as devidas providências sejam  tomadas. 
 

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