Polícia libera motorista que atropelou 17 pessoas e matou uma bebê em Copacabana

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

  • REUTERS/Ricardo Moraes

    19.jan.2018 - Antônio de Almeida Anaquim, 41, deixa o 12º DP após prestar depoimento e ser liberado pela polícia. Ele foi responsável pelo atropelamento de 18 pessoas no calcadão de Copacabana na quinta-feira (18)

    19.jan.2018 - Antônio de Almeida Anaquim, 41, deixa o 12º DP após prestar depoimento e ser liberado pela polícia. Ele foi responsável pelo atropelamento de 18 pessoas no calcadão de Copacabana na quinta-feira (18)

O administrador de empresas Antônio de Almeida Anaquim, 41, responsável pelo acidente que feriu 17 pessoas e matou uma bebê de oito meses em Copacabana na noite de quinta-feira (18), foi liberado nesta sexta (19) após prestar depoimento.

Ele passou cerca de 18 horas na delegacia e deixou o local por volta das 15h30 sem falar com a imprensa.

O motorista foi autuado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e deve responder ao crime em liberdade. O prazo de conclusão da investigação é de 30 dias.

Segundo o delegado Gabriel Ferrando (12ª DP), ele teria tido um ataque epilético, confirmado por uma testemunha que estava no carro.

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"A principal linha investigativa é que teria sido esse evento epilético. Ele [o motorista] narra que teria tido uma espécie de disritmia decorrente desse problema epilético", disse o delegado.

"Esse apagão, segundo ele, teria ocasionado uma perda de consciência temporária no momento em que ele estava conduzindo o veículo, o que ocasionou aquela manobra brusca", afirmou Ferrando.

Fábio Motta/Estadão Conteúdo
19.jan.2018 - Trecho de Copacabana onde aconteceu o acidente estava vazio no dia seguinte ao atropelamento
Segundo o delegado, até o momento, não há indícios que levem à conclusão de que o motorista teve a intenção de atropelar 18 pessoas no calçadão. "Neste presente momento não tenho como trabalhar com a voluntariedade do crime", disse, ao comentar a autuação por homicídio culposo.

Exame toxicológico preliminar não apontou uso de álcool ou outras substâncias pelo motorista. No entanto, o delegado afirmou que aguarda exames mais detalhados para assegurar que Anaquim não estava sob efeito de drogas.

Câmera grava o momento em que carro invade calçadão

Ferrando disse que requisitou ao Detran do Rio de Janeiro o prontuário médico de Anaquim --segundo o órgão de trânsito, ele negou que sofresse de epilepsia ao validar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). O delegado informou que Anaquim "não se lembra" a respeito de não ter mencionado isso no exame.

Com 62 pontos acumulados na carteira, o motorista estava com a CNH suspensa desde 2014. "Convoquei funcionários do Detran para me posicionar a respeito da carteira de motorista." De acordo com Ferrando, Anaquim relatou não ter recebido nenhuma notificação do Detran.

Segundo o delegado, se comprovado que ele omitiu informações ao Detran, isso pode agravar a pena.

"Ele afirma que teve um apagão numa outra ocasião há três ou quatro anos. Ele fala que é diagnosticado, falou que vai de seis em seis meses ao médico. Ele tem um médico que o acompanha e toma medicação regular e que, por conta disso, ele não teria tido outro surto desse", relatou Ferrando.

O delegado acrescentou que apreendeu a medicação e a carteira de motorista de Anaquim. "Independentemente da situação dele no Detran, eu já arrecadei a carteira dele para que não haja nenhum risco de ele transitar com a habilitação na mão. E agora estamos aguardando os laudos médicos e outros exames."

Australiano em estado gravíssimo

As vítimas do acidente foram levadas para hospitais municipais do Rio. Para o Miguel Couto, no Leblon, zona sul, foram levadas 11 pessoas. Até a manhã desta sexta-feira, quatro já haviam recebido alta médica. Entre os que permanecem internados, estão três crianças e um australiano em estado gravíssimo, que respira por aparelhos.

No Hospital Souza Aguiar, no centro da cidade, duas pessoas permanecem internadas. Uma, com fratura na perna, fará cirurgia hoje, e outra, com fratura no braço, deve ser transferida para um hospital especializado em ortopedia. Uma outra vítima deixou o hospital por volta das 3h, à revelia, sob a alegação de que precisava viajar de volta ao seu Estado de origem. Três pessoas haviam recebido alta hospitalar até a manhã de hoje.

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