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Cidade de Deus fecha semana violenta com nova operação da PM no Rio

Domingos Peixoto/Agência O Globo
Com apoio do caveirão, PM realiza nova operação na Cidade de Deus nesta sexta Imagem: Domingos Peixoto/Agência O Globo

Do UOL, no Rio

02/02/2018 10h42

A Polícia Militar do Rio de Janeiro realiza nesta sexta-feira (2) mais uma operação para reprimir criminosos na Cidade de Deus, favela da zona oeste carioca, que teve episódios de violência durante toda esta semana. Os agentes atuam no terreno com apoio de um blindado da corporação, conhecido como caveirão. Até 10h, não havia saldo da ação.

Por volta das 7h, um carro foi incendiado em uma localidade conhecida como Caminho do Outeiro, um dos pontos de venda de drogas na Cidade de Deus. Apesar da instabilidade na região e da presença da PM, a rotina na comunidade e no entorno, sobretudo na Linha Amarela, uma das principais vias expressas da cidade, transcorre com normalidade.

A situação é bem diferente dos últimos dois dias, quando a via foi bloqueada por conta de tiroteios e protestos com atos de violência. Na quinta-feira (1º), uma jovem grávida de 19 anos foi ferida por uma bala perdida durante confronto entre policiais e traficantes. Ela recebeu atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da favela e se recupera bem.

Reportagem do UOL publicada nesta quinta mostra que, entre as comunidades com UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), a Cidade de Deus foi a que teve o maior número de disparos de arma de fogo ou confrontos armados no primeiro mês deste ano. Segundo dados do Fogo Cruzado, um serviço não oficial que mapeia a violência na cidade, foram 46 registros em janeiro --à frente da Rocinha, na zona sul do Rio, com 23 notificações.

Na Cidade de Deus, o principal episódio de violência desta semana ocorreu na quarta-feira (31 de janeiro), quando uma operação da PM deixou ao menos três suspeitos mortos, entre os quais um suposto líder do tráfico local. Na sequência, criminosos teriam dado ordem para que fossem realizados atos de violência e vandalismo na Linha Amarela, segundo a PM.

Protestos com barricadas de fogo assustaram motoristas e resultaram na interdição da via por mais de uma hora. O trânsito só foi liberado por volta das 13h.

Ontem (1º), um carro da PM foi atacado a tiros quando trafegava por uma alça de acesso à Linha Amarela e os policiais revidaram. De acordo com o Centro de Operações Rio, as pistas nos dois sentidos foram bloqueadas por volta das 8h10. As interdições foram desfeitas cerca de 40 minutos depois.

Os motoristas ficaram retidos nas imediações da Cidade de Deus. Alguns chegaram a sentar no chão e buscar proteção atrás dos carros até que a situação fosse normalizada. Imagens de câmeras de trânsito mostraram um carro da Polícia Militar parado na alça de acesso, e homens fardados, atrás das muretas, apontando armas em direção à favela. A PM afirmou que não havia operação na comunidade no momento do tiroteio.

Na segunda-feira (29), um confronto entre policiais da UPP e traficantes trocaram tiros em uma localidade conhecida como Apartamento, por volta de 8h30, e uma pessoa ficou ferida no confronto. Ela foi levada para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na zona oeste, mas não foram divulgados detalhes do estado de saúde da vítima. Segundo a coordenadoria das UPPs, o embate ocorreu quando os PMs faziam patrulhamento de rotina.

"Polícia faz o que está ao seu alcance", diz Sá

O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, disse na quarta que o governo estadual vem "trabalhando para que instituições possam dar cada vez mais respostas" que visem o combate às ações do crime organizado no Estado. Sá fez uma avaliação do conflito a partir do fechamento da Linha Amarela.

"Nós estamos trabalhando para que as instituições possam dar cada vez respostas a ações como estas e que as forças de segurança possam minimizar e, se possível, impedir que isto continue acontecendo. A polícia do Rio, apoiada até por forças federais, faz o que está ao seu alcance para evitar que fatos como os de hoje continuem a acontecer", afirmou o secretário.

Ele comentou ainda que o Rio vive uma situação complexa, onde somente no ano passado quase 500 fuzis foram apreendidos pelas forças de segurança."Numa situação complexa, enfrentando uma realidade de que a cada abordagem de carros suspeitos e apreensão de armas, tropeça-se em um fuzil, isso tem que gerar uma reflexão. Foram 499 fuzis apreendidos somente no ano passado", afirmou.

Roberto Sá afirmou ainda que, apesar de a PM trabalhar com estrutura precária --com carros e helicóptero quebrados--, chega a prender 4.000 pessoas por mês.

"Nós apostamos muito na decisão do governador [Luiz Fernando Pezão] de criação do fundo estadual de segurança publica que vai dar ao gestor um mínimo de previsibilidade para poder trabalhar e de ter investimento para a polícia poder trabalhar", avaliou.

"Lamentavelmente mais uma vez uma via importante ficou fechada em razão da violência, mas isto está acontecendo porque a polícia está ali trabalhando e tentando evitar que delitos aconteçam contra à sociedade."

Tiroteio assusta motoristas na Linha Amarela

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