Violência no Rio

Intervenção no Rio quer aumentar policiais nas ruas e descarta ocupação prolongada em favelas

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

  • Luis Kawaguti/UOL

    23.2.2018 Forças Armadas e policiais em operação na Vila Kennedy, zona oeste do Rio

    23.2.2018 Forças Armadas e policiais em operação na Vila Kennedy, zona oeste do Rio

Aumentar o número de policiais e de carros de polícia nas ruas para elevar a sensação de segurança. Esse será um dos objetivos iniciais da intervenção federal no Rio de Janeiro, segundo afirmou nesta terça-feira (27) o general Mauro Sinott, chefe do Gabinete de Intervenção Federal. 

Sinott, que é o responsável pela parte operacional da intervenção e participou na manhã de hoje de entrevista coletiva sobre a intervenção no Rio ao lado do interventor, o general Walter Souza Braga Netto, também descartou ocupações prolongadas em favelas por integrantes das Forças Armadas.

O general Sinott afirmou que, para colocar mais policiais e carros nas ruas, precisará acabar com dois "gargalos" nas polícias: "recomposição de efetivos" e "logística".

Recompor efetivos significa que ele vai tentar melhorar a gestão administrativa, financeira e a área de planejamento dos órgãos policiais para ter mais agentes disponíveis para o policiamento de rua.

O general não detalhou como a medida será implementada, mas, nos bastidores, integrantes de sua equipe dizem que isso pode significar remanejamento para as ruas de policiais de áreas administrativas ou que estejam emprestados para órgãos não policiais. Também podem ser feitas mudanças na organização das unidades policiais.

Danilo Verpa/Folhapress
Carro da polícia com pneu furado na zona norte do Rio

A melhoria na logística se refere a elevar o número de veículos disponíveis para os policiais, a fim de aumentar sua mobilidade.

Isso vai representar uma melhoria da percepção de segurança pública a partir do momento em que eu tenho uma presença mais efetiva nas ruas.

General Mauro Sinott, chefe do Gabinete de Intervenção Federal

Os membros da equipe de intervenção afirmaram que as mudanças devem acontecer com recursos dos próprios órgãos de segurança pública e também com um aporte de recurso federais. Eles não especificaram, porém, o total de recursos que serão necessários.

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Operações em favelas

O general Sinott disse que o Gabinete de Intervenção não planeja usar as Forças Armadas para fazer ocupações prolongadas de favelas controladas pelo crime organizado.

Desde o início da intervenção federal no Rio, no dia 16, tropas têm entrado e saído de surpresa múltiplas vezes nas favelas Kelson's, Vila Kennedy, Coreia e Vila Aliança e também realizado blitze em rodovias de acesso ao Rio.

Militares ligados ao processo de intervenção afirmaram que essas ações visam não só prender suspeitos e tentar achar armas, mas também reduzir a mobilidade de membros do crime organizado, entre outros objetivos estratégicos.

Essas ações ocorrem segundo parâmetros estabelecidos pela operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que está em vigor no Rio desde julho. O general Braga Netto disse que esse modelo será mantido, mas ajustes podem ser feitos.

"As regras não mudam, mas podem ser aperfeiçoadas", disse na manhã de hoje.

Desde o início da operação de Garantia da Lei e da Ordem no ano passado, as Forças Armadas têm sido usadas para cercar favelas, enquanto policiais entram na região para tentar realizar prisões.

O general disse que essa estratégia vai ser mantida, porém, sem dar detalhes, disse que os militares poderão ajudar a polícia a realizar as prisões.

"Nossa missão é recuperar a capacidade operativa dos órgãos de segurança pública e baixar os índices de criminalidade aqui no Estado do Rio não só na cidade", disse o general.

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