Violência no Rio

Mãe diz que PMs mataram jovem em favela no Rio: "não tenho culpa de ser pobre"

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Arquivo Pessoal

    Rian Silva, morto no Caju na terça (27), e a mãe dele, Lenilda de Alencar

    Rian Silva, morto no Caju na terça (27), e a mãe dele, Lenilda de Alencar

A família de Rian de Alencar Silva, 15, morto em uma das favelas do Complexo do Caju, na zona norte do Rio de Janeiro, diz que policiais militares são os responsáveis pela morte do adolescente, baleado na comunidade na última terça-feira (27). De acordo com a mãe dele, a faxineira Lenilda de Alencar, o local onde o filho foi morto --em uma parte isolada da favela-- ainda tem vestígios de sangue e marcas de botas no chão. Segundo ela, a Polícia Civil ainda não teria ido à favela, que conta com uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), para fazer a perícia.

Procurada pelo UOL, a UPP informou, por meio de nota, que o jovem foi morto durante um confronto entre traficantes e policiais, que antes tinham sido atacados durante um patrulhamento na rua Interna. Após o tiroteio, uma pistola calibre 40, duas granadas e um rádio transmissor foram apreendidos.

No entanto, a família contesta a versão da PM e afirma que não houve tiroteio na comunidade. "Tudo é troca de tiros. Não houve confronto. Os moradores daqui podem dizer. Meu filho era um rapaz tranquilo. Vivia na lan house. Toda hora me pedia R$ 3 pra jogar na internet", diz a mãe de Rian.

O caso foi registrado na Delegacia de Homicídios. A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado e que não há informações a serem divulgadas neste momento.

Até agora não veio ninguém visitar o local para investigar. Na região, tem uma loja de concreto, muitas pessoas viram meu filho com policiais ainda com vida. Ele foi morto pela UPP. Eu não tenho culpa de ser pobre, de morar na favela. Eles não podiam ter tirado a vida do meu filho.

Lenilda de Alencar, mãe de Rian Silva

A mãe contou que o filho, nascido na comunidade, chegou a tirar fotos com policiais da UPP na ocasião em que o projeto de segurança foi implementado na favela em abril de 2013.

"Os policiais chegaram aqui de cavalo, botaram as crianças da comunidade para passear nos cavalos. Meu filho foi um deles. E agora essa mesma polícia tirou a vida do meu filho. Olha, que ironia!"

Arquivo Pessoal
Rian Silva em passeio de cavalo em 2013, quando a UPP chegou ao Caju

O adolescente morreu na favela Parque Alegria. Segundo familiares, Rian levou ao menos três tiros --um deles de fuzil, no peito.

A mãe conta que estava fazendo comida em casa quando foram avisar que o filho tinha sido levado por policiais. Lenilda chegou a procurar a sede da UPP, onde foi informada que o filho foi baleado e levado para o Hospital Federal de Bonsucesso. No entanto, o adolescente chegou morto à unidade de saúde com ferimento de fuzil no tórax e na coxa.

Lenilda diz que o filho não tinha envolvimento com o crime. "Mesmo se tivesse, ele foi executado!"

O sepultamento de Rian acontece nesta quinta-feira (1º) no Cemitério do Caju, na zona norte carioca.

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