"Nunca eu mataria um cidadão de bem", afirma PM acusado de participar da maior chacina de SP

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Guilherme Rodrigues/Estadão Conteúdo

    O policial militar Victor Cristilder Silva dos Santos

    O policial militar Victor Cristilder Silva dos Santos

O cabo da PM (Polícia Militar) Victor Cristilder Silva dos Santos, 33, acusado de participar da maior chacina de São Paulo, quando 23 pessoas morreram a tiros em agosto de 2015, alegou ser inocente ao depor por mais de duas horas na tarde desta quinta-feira (1º).

Ele relembrou a infância humilde, seu trabalho como PM, a investigação feita pela Corregedoria e pela Polícia Civil e relatou que sua família passa por dificuldades psicológicas e financeiras. Em alguns momentos, ficou com a voz embargada e chorou.

"Nunca eu mataria um cidadão de bem", afirmou ao depor. "Não tenho nada a dever, sou inocente, todos os dias eu pergunto para Deus por que estou preso. Sempre fui digno e honesto", disse o policial militar, que está detido no presídio militar Romão Gomes desde 8 de outubro de 2015.

Ele relatou que, na data em que foi preso, falou para o filho, então com 12 anos, que ele seria o dono da casa e o responsável por cuidar da mãe. "Minha mulher está com depressão, o cabelo começou a cair. Dentro da prisão, faço quadros [inspirados] do Romero Britto e PMs fazem rifa para me ajudar a pagar as contas da minha família", disse. Um dos sete jurados se emocionou com o depoimento.

Cristilder também relatou ter comprado um apartamento em 2012, três anos antes da chacina. "Eu nunca tive nada na minha vida. Nada. Quando eu tenho uma oportunidade, vou colocar tudo em xeque? Minha família em xeque? Meu apartamento saiu em novembro de 2017 e eu não conheço ele", afirmou.

Ao lembrar da infância, disse que catava latinhas e cuidava de carros em frente a uma igreja. "Mesmo com várias dificuldades, eu nunca me desviei para o caminho do mal, sempre fui honesto."

Contra ele, pesam um reconhecimento fotográfico e uma troca de mensagens, durante o horário da chacina, com um guarda que foi condenado no mesmo caso, a mais de 100 anos de prisão. "Não tenho mágoa. Tenho certeza que ela [testemunha que o reconheceu] se confundiu", disse. Ele sustentou a tese de que a troca de mensagens com o guarda ocorreu pelo empréstimo de um livro. "Cresci no berço evangélico. Se fosse possível, eu daria minha própria vida para proteger a vida de alguém."

O promotor Marcelo de Oliveira avaliou o depoimento como "irônico". "A pessoa, quanto mais fala, demonstra o caráter. E acho que os senhores tiraram as conclusões de hoje. Ele integrou esse grupo terrorista. Tenho certeza de que Justiça será feita se ele for condenado", afirmou. A decisão do júri deve ser anunciada nesta sexta-feira (2).

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