Escolha de novos chefes das polícias do Rio sinaliza ação anticorrupção, dizem policiais

Paula Bianchi e Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

  • José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo

    20.nov.2016 - Policiais militares em operação na Cidade de Deus, zona oeste do Rio

    20.nov.2016 - Policiais militares em operação na Cidade de Deus, zona oeste do Rio

A escolha dos novos comandantes das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro pode ser interpretada como um sinal da disposição da equipe de intervenção para combater a corrupção nas polícias e investir em ações de inteligência, segundo policiais ouvidos pelo UOL.

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, general Richard Nunes, anunciou nesta terça-feira (6) o coronel Luis Claudio Laviano, como o novo comandante da Polícia Militar, e o delegado Rivaldo Barbosa, como o novo chefe da Polícia Civil.

Rivaldo Barbosa estava até então à frente da Delegacia de Homicídios. Esse tipo de unidade é conhecida por agregar policiais que tendem a não se corromper, pois, em tese, é mais difícil obter propinas na investigação de assassinatos do que lidando com outros crimes, segundo policiais ouvidos anonimamente pelo UOL.

Barbosa é conhecido por colegas de trabalho por ser um policial muito técnico e correto.

Já o coronel Laviano foi ex-comandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais), unidade que ficou conhecida por ser mais dura em relação a desvios.

Os dois policiais também têm outro fator em comum: ambos desenvolveram trabalhos consistentes na área de inteligência.

Fabiano Rocha/Agência O Globo
Rivaldo Barbosa, novo chefe da Polícia Civil do Rio

Polícia Civil

Rivaldo já chefiou a Coordenadoria de Informação e Inteligência Policiais e foi titular da Subsecretaria de inteligência. Ele é retratado por colegas como um policial disciplinador e tem penetração com as polícias dos Estados vizinhos.

Ele é professor universitário de Direito Penal há 16 anos e é obcecado por dados, além de ter feito parte da Aeronáutica antes de entrar para a Polícia Civil.

Segundo fontes da Segurança do Rio, Rivaldo foi escolhido, entre outros motivos, por possuir grande capacidade de comunicação com os subordinados

O delegado se destacou na investigação do desaparecimento, em 2013, do auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza, que se tornou um símbolo de crime praticado por PMs na favela da Rocinha.

Também participou de casos polêmicos, como a negociação para a rendição do traficante Nem, Antônio Francisco Bonfim Lopes --ele acabou preso em 2011 no porta-malas de um carro ao tentar fugir da favela da Rocinha--, e da investigação da morte do menino Eduardo de Jesus, 10, no Complexo do Alemão.

A criança foi morta por um tiro de fuzil na cabeça. Segundo a Delegacia de Homicídios, os agentes públicos estariam em confronto com traficantes e erraram o tiro, atingindo o menino. O Ministério Público contestou o inquérito, assinado por Barbosa, que considerou legítima a ação dos PMs.

"Vejo Rivaldo como uma das grandes referências da instituição. Foi subsecretário de Inteligência e faz um grande trabalho na Delegacia de Homicídios", disse o delegado Rafael Barcelos, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro. "Acho que o nome dele tem o peso necessário para conduzir a instituição ", afirmou.

Divulgação/UPP
Coronel Luis Claudio Laviano, novo comandante da PM do Rio

Polícia Militar

Laviano teve muito contato com ações de inteligência policial ao comandar o Bope.

Ele também se destacou ao chefiar a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, que reúne as 38 UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

Na Prefeitura do Rio, Laviano foi inspetor-geral da Guarda Municipal e subsecretário municipal de Ordem Pública.

Mas um dos fatores que pode ter pesado na escolha é a liderança exercida por Laviano, considerada consenso entre os oficiais da Polícia Militar, segundo o coronel Fernando Belo, presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais do Rio de Janeiro.

"Laviano é um oficial respeitado, bem visto pela tropa, que vai seguir duas linhas fundamentais: inteligência a estratégia", disse Belo.

Apoio das polícias

O UOL apurou com fontes ligadas à equipe de intervenção que, entre as ações que visam melhorar a gestão das polícias e torná-las mais eficazes, está o combate à corrupção.

Porém, a equipe do interventor Walter Braga Netto, está tomando cuidado para realizar essa tarefa sem perder o apoio das instituições policiais.

Os militares entendem que a corrupção afeta apenas uma parte das polícias, mas não sua totalidade. Atitudes ou falas que generalizem a ideia de corrupção nas polícias podem tornar as instituições refratárias às mudanças, prejudicando o trabalho dos interventores.

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