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Doria amplia "bico oficial" de policiais e põe PM para fiscalizar pichadores e "mijões"

Júlio Zerbatto/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Júlio Zerbatto/Futura Press/Estadão Conteúdo

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

12/03/2018 12h30Atualizada em 12/03/2018 13h12

A menos de um mês de uma possível renúncia ao mandato por conta da disputa eleitoral ao governo paulista, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta segunda-feira (12) a ampliação do número de agentes e do leque de atuação da Operação Delegada - o bico oficial da Polícia Militar.

Agora, além da fiscalização de comércio irregular, os policiais militares envolvidos na operação — rebatizada para “Programa de Fiscalização de Posturas Municipais” —terão de atuar no combate à pichação, ao descarte irregular de lixo e na fiscalização a pessoas que urinem no espaço público.

Durante o ano de 2017, a operação contava com 750 PMs por dia, com o pagamento de R$ 25,50 por hora trabalhada para oficiais da PM e R$ 21,25 para praças. Com o anúncio hoje, os valores foram ampliados para, respectivamente, R$ 28 e R$ 24, e o efetivo para 1.200 homens.

Os PMs envolvidos na Operação Delegada serão identificados e poderão usar armas — com escalas de trabalho que não superem 84 horas mensais e com seguro de vida bancado pelo Estado.

Indagado sobre a fiscalização de comércio ambulante, Doria sugeriu que quem vende produtos falsificados ou contrabandeados na cidade seria parte de uma “uma rede de facção criminosa” e que, dessa forma, seria combatido pelos PMs da operação “sem violência”.

De acordo com o secretário de Segurança Urbana do município, José Roberto Rodrigues de Oliveira, a operação será levada a pontos críticos de segurança, com reforço nas regiões do Bráse da rua 25 de Março, áreas da região central que concentram o comércio popular na capital paulista.

“Isso [o comércio ambulante] não acaba da noite para o dia”, disse o secretário.

As ações — as antigas e as novas — da Operação Delegada hoje são executadas majoritariamente pela GCM (Guarda Civil Metropolitana), que, durante a gestão Doria, atua com mais ênfase na cracolândia e em pontos que eram ocupados por pessoas em situação de rua, como praças, túneis e viadutos.

Indagado sobre a necessidade também de descanso dos PMs, o secretário de Segurança Urbana defendeu que o bico pago pelo município ainda é melhor que o bico, por exemplo, no comércio. “Se o policial não fizer o bico pelo Estado, ele será cooptado por outros comércios. Não tenho dúvida de que o valor pago é competitivo”, afirmou Oliveira.

Além do aumento da gratificação por parte da Prefeitura, policiais também receberam, após quatro anos reajuste de salário anunciado em janeiro pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Pré-candidato à Presidência, Alckmin concedeu reajuste de 4% às polícias.

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