Violência no Rio

MPF abre investigação contra policial por confusão durante homenagem a Marielle em bar do Rio

Do UOL, no Rio

  • Carolina Farias/UOL

    20.mar.2018 - Alfredinho, dono do Bip Bip, em ato pelas mortes de Anderson e Marielle

    20.mar.2018 - Alfredinho, dono do Bip Bip, em ato pelas mortes de Anderson e Marielle

O MPF (Ministério Público Federal) abriu uma investigação contra o policial rodoviário federal Haroldo Ramos, suspeito de tumultuar uma homenagem a Marielle Franco (PSOL) no bar Bip Bip, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, em 18 de março. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (9).

De acordo com o MPF, o objetivo é verificar se o policial cometeu os crimes de abuso de autoridade, violência e perturbação da ordem, constrangimento mediante violência ou grave ameaça, injúria, prática de violência no pretexto do exercício da função, usurpação do exercício da função pública e desacato de autoridade.

O procurador da República Eduardo Benones determinou que sejam ouvidos Haroldo Ramos e o dono do Bip Bip, Alfredo Jacinto Melo, 74, conhecido como Alfredinho, além de uma testemunha e do PM que registrou a ocorrência. O delegado-adjunto da 14ª DP também será chamado para depor.

"A medida provém da necessidade de prosseguir as diligências, visando a colheita de informações, depoimentos, documentos e outros elementos aptos a direcionar e definir a linha de atuação deste órgão ministerial no feito", explicou o procurador.

A reportagem do UOL entrou em contato com a PRF, por e-mail, na segunda-feira (9). A instituição encaminhou a mesma nota divulgada na ocasião do fato, na qual informa que não houve registro de comportamento que "configure desvio de conduta funcional, representando tão somente atitudes e opiniões pessoais do servidor".

A PRF alegou ainda que "não houve registro de utilização de arma de fogo ou quaisquer outros acessórios policiais".  "A Corregedoria da PRF também abriu uma investigação preliminar para apurar os fatos relacionados à conduta do servidor", diz a nota.

O caso

No dia 18 de março, Alfredinho pediu aos clientes um minuto de silêncio em memória da parlamentar, assassinada a tiros quatro dias antes do fato. O motorista do carro onde estava a vereadora, Anderson Gomes, também foi atingido por disparos e morto na ação criminosa.

Na ocasião, o agente rodoviário teria ficado incomodado com o gesto do dono do Bip Bip, conhecido como Alfredinho, durante uma roda de samba. Os músicos gritaram "Marielle, presente", e o proprietário do estabelecimento emendou um discurso sobre um evento ecumênico que aconteceria no dia seguinte.

O policial teria então interrompido a música e afirmado: "e os 200 policiais mortos?", segundo relato de um frequentador ao UOL.

Durante a confusão, o policial levou um tapa de um dos frequentadores. Meia hora depois, o agente voltou para o bar armado. "Eu consegui ouvir: 'voltei e estou a fim de dar uns tiros'. Ficou levantando a camisa para mostrar a pistola. O bar esvaziou e ele discursando de dentro para fora", contou o executivo Jean Marc Schwartzenberg, que estava no bar no momento da confusão.

A Polícia Militar foi acionada. O agente da PRF (Polícia Rodoviária Federal) exigiu que o dono do bar fosse levado à delegacia. "O dono do bar é meu conduzido", disse o policial rodoviário, conforme contou o frequentador do bar.

Depois de passarem por duas delegacias, a ocorrência foi registrada na 14ª Delegacia de Polícia (Leblon) como agressão, e Alfredinho foi arrolado como testemunha.

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