Crianças, jovens e idosos representam 82% de denúncias de direitos humanos em 2017

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília*

  • Getty Images

Crianças, adolescentes e idosos foram vítimas de 82,13% das denúncias de violências recebidas pelo governo federal em 2017, segundo relatório do Ministério dos Direitos Humanos divulgado nesta quinta-feira (3).

De acordo com o balanço referente ao ano passado, atos de violência contra crianças e adolescentes representaram 58,91% (84.049 denúncias em números absolutos) das denúncias recebidas. Já as agressões contra a pessoa idosa somaram 23,22% (33.133).

Ao todo, o governo contabilizou 142.665 registros de violências por meio do Disque 100, o aplicativo Proteja Brasil e portais na internet, como o Humaniza Redes. Em 2016, o governo registrou 133.061 denúncias sendo 81,77% relativas a violências sofridas por crianças, adolescentes e idosos. Em anos anteriores, esses grupos de pessoas chegaram a representar 93,66% das denúncias recebidas. Na época, porém, não havia tantas subdivisões quanto ao perfil das vítimas como atualmente.

O sistema é gratuito, garante o sigilo do denunciante e está disponível por 24 horas todos os dias. Depois de feita, cada denúncia é encaminhada para os respectivos órgãos responsáveis pelo caso, como conselhos tutelares, polícias, secretarias de Segurança Pública e Ministério Público.

142 mil denúncias

O Brasil registrou 142,6 mil denúncias de violações de direitos humanos somente em 2017, o que representa um total de 390 por dia ou mais de 16 a cada hora, segundo o balanço.

Os dados mostram um crescimento de 7%, em relação a 2016, nas denúncias registradas em todos os canais da Ouvidoria. O ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, não soube precisar qual a razão deste aumento registrado pelo órgão. "Analisando pelo lado positivo, podemos chegar a conclusão de que aumentou a conscientização das pessoas, mas, por outro lado, podemos chegar à conclusão de que o número aumentou porque a violência também aumentou", afirmou.

Na entrevista coletiva, Rocha admitiu que tem identificado uma demora considerável no atendimento das ligações recebidas pelo Disque 100, a principal ferramenta para registro das denúncias. Ele mesmo relatou que, ao visitar a central de atendimento do serviço, registrou ligações que demoraram até 10 minutos para serem atendidas. Diante do diagnóstico, Rocha afirmou que o ministério vai criar um sistema exclusivo para ligações urgentes.

"Percebi que essa resposta não é tão rápida quanto deveria ser. Ligações realmente urgentes não podem levar 10 minutos para serem atendidas. A primeira providência é a criação do canal de urgência", afirmou. O próprio ministro relatou ainda que se "surpreendeu" ao descobrir a ausência de um sistema que direcione as ligações do Disque 100 para o Disque 180, central de atendimento criada para registrar casos de violência contra a mulher.

"Outra questão importante que surpreendeu é a não comunicação direta entre o Disque 100 e o Disque 180, de violência contra a mulher. O que acontece hoje é que temos que orientar a vítima a desligar para entrar em contato novamente com o Disque 180. Com a tecnologia de hoje, fiz questão de pedir que isso seja resolvido", disse. Gustavo Rocha foi efetivado no cargo de ministro há pouco mais de um mês. (*Com Estadão Conteúdo)

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