Soube pela TV, diz homem que estava na lista de procurados após desabamento em SP

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

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    Artur Hector de Paula, que era dado como suposto desaparecido no desabamento do prédio, no centro de São Paulo reaparece

    Artur Hector de Paula, que era dado como suposto desaparecido no desabamento do prédio, no centro de São Paulo reaparece

O ambulante Artur Hector de Paula, 45, soube pela televisão que havia se tornado estatística no desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, região central de São Paulo. "Na praça não tinha TV. Quando cheguei em BH, no dia seguinte comecei a ver meu rosto em tudo que era lugar na televisão. Agora que está começando a cair a ficha",  declarou a jornalistas nesta sexta-feira (11).

Na última segunda (7), após a família registrar boletim de ocorrência, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros passaram a contabilizar o ambulante como um dos então sete desaparecidos na tragédia ocorrida no dia 1º. Na quarta, o 3º Distrito Policial, onde é investigado o incêndio que antecedeu o desabamento do prédio, confirmou que Artur estava vivo e na casa de parentes em Minas Gerais.

O ambulante compareceu hoje à delegacia, localizada a cerca de 500 metros do local onde são feitas as buscas. Ao delegado Osvany Zaneta Barbosa, Artur contou que viajou para Minas porque o pai teria passado mal ao saber do desabamento.

Aos jornalistas, de saída do DP, ele mostrou passagens de ônibus de São Paulo para Belo Horizonte com data de terça (8) — um dia depois de a tia, Irani de Paula, ter registrado o desaparecimento dele na mesma unidade policial onde esteve hoje. A tia procurou o ambulante até na Cracolândia.

Janaina Garcia/UOL
Bilhete de ônibus de São Paulo a Belo Horizonte apresentado por homem que era dado como desaparecido

Ele contou que passou a semana passada toda na praça onde está parte dos desabrigados em função do desabamento. A viagem para a capital mineira, relatou, teria sido decidida depois de um parente contar que o pai, um homem de 72 anos, tivera um AVC (acidente vascular cerebral) ao ver na TV as imagens da tragédia.

O delegado afirmou que Artur não apresentou, além das passagens rodoviárias, quaisquer outras comprovações sobre a versão que apresentou. "Essa é uma questão solucionada", concluiu o policial.

Artur contou que morava na ocupação havia um ano, no sétimo andar, sem pagamento de aluguel — diferentemente do que outros moradores, também sobreviventes, relataram jornalistas ao longo da semana passada. Atuava nas ruas da região central e também na feirinha da madrugada, no Brás.

Sobre a noite do desabamento, Artur afirmou que havia saído para comer um lanche, voltou, mas saiu de novo com um amigo para beber uma cerveja.

"Cheguei umas duas horas depois do acidente. Não sei nem definir o que senti na hora, é uma sensação de perda", comparou.

Indagado sobre os planos de vida a partir de agora, o ambulante definiu: "vou embora para Minas hoje mesmo. Quero reconstruir minha vida", disse, ele que é pai de quatro filhos e havia ido para a ocupação depois de se separar.

Oficialmente, são seis pessoas desaparecidas na tragédia: uma mãe e os dois filhos gêmeos de 10 anos, um casal e um homem adulto. Além do seis desaparecidos, há uma semana, as equipes de busca localizaram o corpo de Ricardo Galvão Pinheiro, 38. Ele foi soterrado segundos antes de ser resgatado por um bombeiro.

O trabalho dos bombeiros no local dos escombros deve se arrastar ainda até o final da próxima semana. Anteontem, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que parte de ossos localizados no início da semana pertence a um adulto e duas crianças. As identidades das vítimas, no entanto, ainda não foram divulgadas porque dependem de análise genética.

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