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Namorada de jovem assassinada nega reação a assalto: 'é cruel pelo prazer que teve de tirar uma vida'

Fabiano Rocha/Agência O Globo
16.mai.2016 - Nicole da Silva diz ter entregado o celular sem reagir ao assalto Imagem: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

16/05/2018 16h59

A namorada de Soraia Macedo Lemos, estudante de 17 anos baleada na cabeça durante um roubo de celular, negou nesta quarta-feira (16) que elas tenham reagido ao assalto que terminou com a morte da estudante na noite de ontem (15), na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro.

Nicole da Silva, 21, contou que ela e Soraia tinham acabado de sair de casa quando foram abordadas por dois homens em uma moto. O caso ocorreu a 300 m da escola da vítima. Ela relatou que a dupla chegou puxando o celular do bolso da namorada. Quando perceberam que se tratava de um iPhone, recusaram o aparelho devido à dificuldade de desbloquear e mandaram que Nicole entregasse o dela.

“Eles ficaram falando que a gente ia morrer, ia morrer, ia morrer. Pediram também para que não olhássemos para eles", lembra Nicole.

Nicole diz que não esboçou reação e entregou o celular, mas que, mesmo assim, ao deixar o local, o assaltante na garupa da moto --o único armado-- atirou em Soraia.

A última palavra dela foi me chamar de amor. É desesperador, é cruel. Não pelo roubo, mas pelo prazer que ele teve de tirar uma vida.

Nicole da Silva, namorada de Soraia

Mais cedo, a Delegacia de Homicídios informou que uma suposta demora na entrega do celular teria provocado a reação violenta dos assaltantes.

Reprodução/Arquivo Pessoal
A estudante Soraia Macedo falava em seguir carreira militar Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Nicole disse ainda que os criminosos estavam muito alterados e que a todo o momento xingavam. Soraia chegou a ser socorrida por um taxista que a levou ao hospital Evandro Freire.

De acordo com um pastor amigo da família, a mãe da menina está a base de remédios. "Precisou ser medicada ontem [terça-feira] no hospital e agora está a base de calmantes. Tá sendo forte na medida do possível", disse Thiago, que pediu para não ter o sobrenome publicado, na tarde de hoje no IML (Instituto Médico Legal), na região central do Rio, onde a família esteve para liberar o corpo da adolescente. 

Nas redes sociais, a mãe de Soraia, Cristiane Barbosa, falou do amor pela filha. Soraia é a terceira de cinco filhos. Ela estava no 3° ano do ensino médio e falava em seguir carreira militar.

Procurada, a Polícia Civil disse que a Delegacia de Homicídios fez uma perícia no local. Os investigadores estão em busca de testemunhas e também de imagens de câmeras de segurança instaladas na região para tentar identificar os autores do crime. Até as 16h30, ninguém havia sido preso.

Entre março de 2017 e março de 2018, foram registrados 210 casos de roubo de telefone na região da Ilha do Governador. Apenas em março, dado mais recente divulgado pelo ISP (Instituto de Segurança Pública), foram 15 ocorrências.