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Militares montam base em complexo de favelas usado como refúgio de ladrões de cargas no Rio

Militar monitora região dos complexos do Chapadão e da Pedreira, no Rio - Divulgação/Comando Conjunto
Militar monitora região dos complexos do Chapadão e da Pedreira, no Rio Imagem: Divulgação/Comando Conjunto

Do UOL, no Rio de Janeiro

07/07/2018 20h27

Há cerca de 10 dias ocupando os complexos de favelas do Chapadão e da Pedreira, controlados por facções rivais na zona norte do Rio de Janeiro, militares das Forças Armadas montaram uma base temporária no local e removeram mais de 150 barricadas desde o início da operação na região, no dia 28 de junho.

A remoção de barricadas erguidas por facções criminosas tem o objetivo de facilitar a atuação dos militares e da polícia na região e enfraquecer o crime organizado, segundo o Comando Conjunto da intervenção federal no Rio.

Críticos das ocupações das Forças Armadas em favelas dizem que elas não resolvem o problema, pois os criminosos se esconderiam durante as ocupações e retornariam após a saída dos militares. Defensores da medida dizem que as ações ostensivas não resolvem o problema do crime organizado, mas elas seriam necessárias para enfraquecer periodicamente as facções criminosas.

O órgão disse que foi necessário montar a base temporária em um galpão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), no Complexo da Pedreira, para facilitar a logística e tornar a resposta a eventuais crimes mais rápida. Militares estão abrigados em tendas e a instalação é usada como base de veículos e equipamento pesado do Exército.

7.jul.2018 - Militares montam base temporária no Chapadão e na Pedreira, no Rio - Divulgação/Comando Conjunto - Divulgação/Comando Conjunto
Base temporária nos complexos do Chapadão e da Pedreira, no Rio
Imagem: Divulgação/Comando Conjunto

Os complexos de favelas são usados como núcleos para ações de roubos de cargas. Os caminhões que viajam pela rodovia Presidente Dutra são abordados na Avenida Brasil e levados para dentro das favelas - que eram fortemente guardadas por homens armados e barricadas - e descarregados. Os produtos eram então vendidos em pontos de comércio informal do Rio. Em muitos casos, mesmo sabendo dos roubos, a polícia não conseguia entrar na região para recuperar as cargas.

O Chapadão é controlado pela facção CV (Comando Vermelho) e a vizinha Pedreira, por grupos rivais, entre eles o ADA (Amigos dos Amigos). A região abriga 1,2 milhão de pessoas e vive sob tensão constante devido a ameaças frequentes de ambos os lados de invasão da área dos rivais.

7.jul.2018 - Militares montam base no Chapadão e na Pedreira, no Rio - Divulgação/Comando Conjunto - Divulgação/Comando Conjunto
Militares montam base temporária em complexo de favelas do Rio
Imagem: Divulgação/Comando Conjunto

A ação para ocupar o Chapadão e a Pedreira, na quinta-feira (28), foi a maior desde o início da intervenção federal no Rio, em fevereiro, e envolveu mais de 5.500 agentes das Forças Armadas e da polícia. O general Antônio Barros, chefe do Comando Conjunto e da Primeira Divisão de Exército visitou as instalações da base temporária neste sábado (7).

A intervenção federal classifica esse tipo de ação ostensiva de tropas como emergencial. Ela ocorre em paralelo a um processo nos bastidores que visa reestruturar, reequipar e melhorar a gestão das polícias do Rio de Janeiro. 

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