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Operação militar marca passagem do patrulhamento do Bope para a PM na Rocinha

25.jul.2018 - Militares cercam a Rocinha para PM mudar sistema de patrulhamento - UOL
25.jul.2018 - Militares cercam a Rocinha para PM mudar sistema de patrulhamento Imagem: UOL

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

25/07/2018 20h53

Uma operação envolvendo 915 militares das Forças Armadas nesta quarta-feira (25) deu início a uma mudança no sistema de patrulhamento na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. O patrulhamento rotineiro, que vinha sendo feito por forças especiais, está sendo assumido por batalhões regulares da Polícia Militar.

As forças especiais --principalmente o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e o Batalhão de Choque-- vinham patrulhando as ruas da Rocinha desde que a favela viveu uma crise de segurança no ano passado --motivada por uma disputa entre chefes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos) pelo controle do morro. Esses agentes não deixarão a Rocinha, mas atuarão apenas em ações específicas.

O objetivo da mudança é dar mais liberdade de ação a cerca de 550 policiais do Comando de Operações Especiais, segundo disseram ao UOL fontes ligadas à cúpula da intervenção federal.

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A crise da Rocinha ocorreu quando o então chefe do tráfico na favela, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, rompeu relações com o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, que está preso em penitenciária federal.

Conflitos diários aconteceram na favela quando criminosos leais a Nem passaram a combater subordinados de 157, que acabou fugindo da Rocinha e se vinculado à facção rival Comando Vermelho.

As Forças Armadas foram chamadas para conter a crise realizando cercos temporários e o patrulhamento rotineiro de ruas da favela passou a ser feito pelas unidades de elite da PM.

Nesta quarta-feira, o Bope e o Choque devolveram a responsabilidade sobre esse patrulhamento para batalhões regulares. A tarefa está sendo assumida por policiais do 23º batalhão e de outras unidades da área. A ideia é que eles circulem nas ruas de forma ostensiva para tentar inibir o crime.

As forças especiais continuarão mobilizadas na região, mas só entrarão em ação para cumprir tarefas específicas relacionadas ao combate ao crime organizado, entre elas, prender traficantes procurados, apreender armamentos escondidos e procurar criminosos em matagais que circundam a comunidade. Também serão acionadas caso o crime organizado ataque unidades da PM envolvidas com o policiamento regular.

Unidades de elite da PM trocaram tiros com traficantes durante a madrugada de hoje na favela em uma ação de preparação para a transmissão de tarefas. Por volta do meio-dia, os militares cercaram a Rocinha e ocuparam pontos estratégicos.

A ação dos militares visava aumentar a segurança durante a “passagem de bastão”, quando os agentes da polícia ficariam mais vulneráveis. Durante a operação, uma pessoa foi presa.

UPP

A Rocinha possui uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) que continua funcionando, mas seu destino ainda não foi definido.

A intervenção federal está fazendo mudanças na estrutura de parte das 28 UPPs instaladas em favelas do Rio desde 2008. As da Vila Kennedy, e do Batan, na zona oeste da cidade, e da Mangueirinha, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), foram transformadas em companhias destacadas de batalhões da PM. O mesmo está acontecendo na Cidade de Deus, na zona oeste.

A Secretaria da Segurança Pública ainda não divulgou se a UPP da Rocinha será modificada. A princípio, as escalas de trabalho dos policiais serão padronizadas de acordo com modelos já praticados em batalhões, mas outras mudanças ainda não foram definidas.

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