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MST diz que policiais atiraram contra acampamento no Pará; PM diz acompanhar caso

Imagem divulgada pelo MST mostra barracos queimados após ataque na madrugada  - Divulgação/MST
Imagem divulgada pelo MST mostra barracos queimados após ataque na madrugada Imagem: Divulgação/MST

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

28/07/2018 14h44Atualizada em 28/07/2018 14h44

Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) disseram que um acampamento com aproximadamente 450 famílias no município de Marabá (PA) foi alvo de tiros na madrugada deste sábado (28). De acordo com o movimento, homens armados, entre eles integrantes das policiais locais, dispararam contra o acampamento. Por meio de nota, a PM informou que acompanha a situação no local, mas não se pronunciou sobre a versão do MST. 

De acordo com o MST, não há informações sobre feridos.

Segundo a coordenadora do MST em Marabá, Nieves Rodrigues, os tiros ao acampamento Hugo Chávez começaram na manhã da última sexta-feira (27), logo depois que aproximadamente 450 famílias invadiram a fazenda Santa Tereza.

Ela afirma que na noite de sexta-feira, integrantes do movimento registraram um boletim de ocorrência na Deca (Delegacia de Conflitos Agrários) de Marabá, mas foram informados de que havia ordens para que os policiais não fossem ao local. “Eles disseram que tinham ordem para não ir. Que poderia haver uma carnificina”, disse.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil confirmou que um boletim de ocorrência foi registrado na noite da última sexta-feira relatando os ataques ao local.

Ainda de acordo com Nieves Rodrigues, na madrugada do sábado, homens armados dispararam tiros contra as barracas montadas pelos integrantes do movimento que, assustados, deixaram o local e se embrenharam na mata.

A coordenadora diz ainda que, depois dos tiros, os homens atearam fogo a barracas, roupas e equipamentos do acampamento. “As pessoas estão muito assustadas. Elas saíram só com a roupa do corpo e agora estão com medo”, afirmou.

Na manhã deste sábado, a Polícia Militar enviou uma nota informando que acompanha a situação na ocupação e que aguarda um levantamento feito por policiais civis da Deca.

“O Comando de Policiamento Regional 2 da Polícia Militar, com sede em Marabá, sudeste paraense, acompanha a movimentação na fazenda Santa Lúcia [...] o CPR (Comando de Policiamento regional) 2 da PM aguarda o trabalho de levantamento feito por policiais da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) de Marabá, a fim de identificar o cenário dentro da propriedade”, diz um trecho da nota.

A reportagem do UOL questionou as assessorias de imprensa da Polícia Civil e da Polícia Militar do Pará sobre as alegações de que seus integrantes teriam tido participação no ataque. A reportagem também questionou sobre que medidas elas tomaram após terem sido informadas na noite de sexta-feira sobre os ataques. Até a última atualização desta reportagem, os questionamentos não haviam sido respondidos. 

Em nota, o Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos disse repudiar o ataque ao acampamento.

“As organizações que se reúnem no comitê reiteram sua preocupação com o acirramento da violência contra defensores/as (sic) de direitos humanos na região”, diz um trecho da nota.

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