Violência no Rio

Forças Armadas retomam imóveis invadidos por traficantes no interior do Rio

Luís Kawaguti

Do UOL, no Rio

  • Comando Conjunto/CML/ Divulgação

As Forças Armadas realizaram nesta quinta-feira (9) a primeira grande operação de segurança no interior do estado do Rio de Janeiro desde o início da intervenção federal, em fevereiro. Um dos principais objetivos desta quinta era retomar residências em sete conjuntos habitacionais na cidade de Campos dos Goytacazes (a 277 km da capital fluminense) que haviam sido invadidas por traficantes de drogas.

Segundo o Ministério Público, membros do crime organizado haviam expulsado moradores de suas casas para usar os imóveis como depósitos de armas e drogas, abrigo para criminosos e também como pontos de venda de entorpecentes.

Investigações da Promotoria mostraram que moradores que se opuseram à ordem dos bandidos para abandonar suas casas foram assassinados. Essas vítimas estão entre as 120 pessoas que foram assassinadas na região só neste ano, segundo o Ministério Público.

A maioria dos moradores expulsos de seus imóveis não denunciaram a ação dos bandidos por medo, mas a prefeitura fez um levantamento para identificar os donos de propriedades invadidas.

A operação envolveu cerca de 650 agentes, que ocuparam cinco favelas da região leste do município. Participaram da operação 387 militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, 150 policiais militares, 85 policiais civis e 23 agentes da Polícia Rodoviária Federal. Os militares utilizam blindados de transporte de tropas e helicópteros.

Desde o início da intervenção federal no Rio, as ações das Forças Armadas vinham focando o trabalho em áreas dominadas pelo crime organizado na capital e na região metropolitana. A ação desta quinta marca uma possível expansão das operações para pontos do interior do estado.

Com cerca de 490 mil habitantes, Campos dos Goytacazes é uma das mais importantes cidades do norte do Rio. Ela possui favelas dominadas pelas facções criminosas Terceiro Comando Puro e Amigos dos Amigos, que controlam a venda de drogas no município.

Operações ostensivas

Eles ocupam desde o início da manhã as favelas Parque Eldorado 1 e 2, Parque Santa Rosa, Parque Santa Clara e Parque Prazeres - que abrangem uma área habitada por cerca de 15 mil moradores, segundo o Comando Conjunto da intervenção.

Os agentes derrubaram barricadas erguidas pelo crime organizado para impedir a entrada de forças policiais nas favelas e revistar pessoas e veículos. Equipes das Forças Armadas auxiliaram policiais civis a cumprir mandados de prisão.

Enquanto isso, funcionários da companhia de luz escoltados pelos militares desativaram ligações clandestinas de energia elétrica.

Até às 16h, 30 pessoas haviam sido presas, 20 quilos de cocaína e duas armas e duas granadas apreendidos, segundo o Comando Conjunto.

As operações ostensivas em favelas são consideradas pelos interventores federais medidas emergenciais para enfraquecer o crime organizado, que por si só não resolvem o problema de segurança pública. Elas ocorrem em paralelo a ações de bastidores para reestruturar e melhorar a gestão das polícias e reequipar e treinar policiais.

As operações ocorrem desde em fevereiro em dezenas de comunidades da capital e da região metropolitana do Rio. Entre as áreas que já foram ocupadas estão Vila Kennedy, Batan, Muquiço, Vila Vintém, Chapadão, Pedreira, Cidade de Deus, Praça Seca e Complexo do Lins, na periferia da capital, e Rocinha, Vidigal, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Babilônia e Chapéu Mangueira, em bairros nobres da zona sul do Rio.

Críticos das ações dizem que elas são ineficientes, pois os traficantes voltam a dominar as regiões logo depois que as Forças Armadas deixam o local. Apoiadores dizem que é necessário fazer operações periódicas em áreas dominadas pelo crime organizado para enfraquecer as facções criminosas e evitar a expansão e consolidação do domínio do território.

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