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Cotidiano

Rio registra mais de 10 tiroteios em favelas com UPPs

Do UOL, no Rio de Janeiro

28/08/2018 17h17

O Rio de Janeiro registrou pelo menos 20 trocas de tiros até às 16h desta terça-feira (28), de acordo com o aplicativo Onde Tem Tiroteio. Desses registros, dez aconteceram em regiões que contam com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), nas zonas sul e norte, além do centro da capital. Também há relatos de tiros em outros municípios do Estado, como São Gonçalo, na região metropolitana, Angra dos Reis, na costa verde, e Campos dos Goytacazes, no norte fluminense.

Logo nas primeiras horas da manhã, moradores de Copacabana, na zona sul, foram acordados pelo som dos disparos. Na internet, pode-se ver vídeos da operação que a Polícia Militar iniciou por volta das 5h, na Ladeira dos Tabajaras. Na comunidade vizinha, o Morro dos Cabritos, a operação começou alguns minutos depois e assustou quem tentava sair de casa. "Parecia que era dentro do meu quarto", disse uma moradora do Morro dos Cabritos em post publicado em redes sociais. 

Ao mesmo tempo, os morros da Babilônia e do Chapéu-Mangueira, no Leme, também registravam operações policiais. Não há registros de feridos nessas comunidades, durante as trocas de tiros. A PM informou que a operação nas comunidades de Copacabana e do Leme visava a apreensão de armas e drogas. Apesar dos disparos, não há balanço oficial de apreensões.

Na região central, tiros e um ferido

No Morro do São Carlos, na região central da cidade, um homem ficou ferido, depois de uma troca de tiros, por volta das 10h. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se envolveram no tiroteio quando faziam uma operação, na parte alta da comunidade, para desativar uma base local da UPP que foi considerada "obsoleta", nas palavras do major Ivan Blaz, porta-voz da PM. "O contêiner não era blindado e ficava em uma região do morro de pouca utilidade tática", explicou o policial. De acordo com ele, os homens do Bope reagiram ao ataque.

O suspeito ferido foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Com ele, a polícia alega ter apreendido uma pistola e quantidade não contabilizada de drogas. A menos de um quilômetro dali, na Favela da Providência, outro tiroteio envolvendo supostos criminosos e policiais, que estavam próximos a uma base de UPP, gerou medo em quem passava pela região. Os disparos puderam ser ouvidos da Central do Brasil - um dos principais pontos de integração de modais de transporte da cidade - e quem estava na região precisou buscar abrigo, com medo dos tiros. Por volta das 16h30, a PM voltou a anunciar o reforço na região.

Quem mora no Morro da Mineira, no Catumbi, também relatou tiroteios, nas primeiras horas da manhã, através das redes sociais. "E como faz para sair de casa? O que falo pra chefia?", questionou um morador. A PM confirmou a operação. 

Na zona norte, tiroteios em favelas alvo de megaoperação na semana passada

Moradores dos complexos da Maré, do Alemão e da Penha, na zona norte, também relataram medo desde as primeiras horas da manhã. Os três conjuntos de favelas foram alvo da maior operação da intervenção no Rio, em número de comunidades, na semana passada. O Comando Conjunto chegou a anunciar a ocupação das favelas por tempo indeterminado, depois de mortes de três militares em confronto, mas saíram na sexta-feira (24).

No Complexo da Maré, uma troca de tiros na localidade conhecida como Parque União amedrontou quem passava pela Linha Vermelha - principal acesso ao Aeroporto Internacional do Rio. De acordo com a PM, o conflito ocorreu depois que homens do batalhão local foram chamados para apurar a denúncia de um roubo de carga. A circulação de veículos na região chegou a ser interrompida.

Já no Complexo do Alemão, policiais teriam sido atacados durante patrulhamento na comunidade da Fazendinha. Não há informações de feridos.

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