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Policiais são presos em operação que mira quadrilha especializada em extorsões no Rio

30.ago.2018 - MP faz operação contra quadrilha especializada em extorsões no Rio - Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
30.ago.2018 - MP faz operação contra quadrilha especializada em extorsões no Rio Imagem: Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Gabriel Sabóia e Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

30/08/2018 09h40Atualizada em 30/08/2018 14h21

Ao menos 37 pessoas foram presas até as 14h desta quinta-feira (30) acusadas de integrar uma quadrilha especializada em extorsões no Rio. De acordo com investigações do Ministério Público, a organização criminosa era liderada por policiais civis. Até o horário, 20 policiais civis, cinco policiais militares e um agente penitenciários foram presos.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-MPRJ) afirma que no escalão mais alto da quadrilha, denominado "Administração", estariam os delegados Rodrigo Sebastian Santoro Nunes e seu braço direito, Delmo Fernandes Baptista Nunes. Outro delegado que teria papel importante é Thiago Luis Martins da Silva. Apenas Rodrigo Santoro continuava foragido até as 14h. O UOL ainda não conseguiu contato com as defesas dos suspeitos ou um posicionamento da Polícia Civil em relação a essas prisões.

São cumpridos 46 mandados de prisão contra denunciados por organização criminosa, corrupção, extorsão, concussão e peculato, entre outros crimes. Essa é a segunda fase da Operação Quarto Elemento, que investiga fraudes realizadas por policiais civis e militares.

No total, o MP denunciou 48 suspeitos, sendo 24 policiais civis, seis policiais militares, dois bombeiros, um agente penitenciário e outras 15 pessoas que atuariam como "informantes" da organização.

Como funcionava o esquema

O MP aponta que todos trabalhavam com um objetivo comum: identificar possíveis infratores da lei, seus possíveis potenciais econômicos e chantageá-los em troca de dinheiro. Agressões físicas contra aqueles que não aceitavam o pagamento de propina também foram identificadas nas investigações.

De acordo com as investigações, os delegados Santoro e Nunes comandariam operações focadas nas vítimas já previamente identificadas, por meio de informantes --eles chamavam as abordagens de "botes". Ao flagrar essas pessoas cometendo delitos ou fraudes administrativas, dinheiro era exigido para aliviar a prisão, no próprio local do crime.

Já o delegado Thiago Martins atuaria em uma segunda fase: quando algo dava errado e o criminoso era levado para a delegacia, ele seria encarregado do convencimento para o pagamento de propina. "A situação de achaque muitas vezes não se resolvia no local. Quando não era resolvida ali, as vítimas eram levadas para a unidade policial para demonstrar que as coisas poderiam piorar”, explicou o superintendente da Subsecretaria de Inteligência, Jaime Cândido.

Entre as vítimas do grupo, estavam milicianos, pessoas que possuíam armas ilegais, comerciantes com estabelecimentos em situação irregular ou especializados na venda de mercadorias piratas e donos de bingos. Ao menos 80 crimes praticados pela quadrilha foram identificados. “Eles não tinham um público-alvo específico, o alvo deles era ganhar dinheiro”, disse o promotor Michel Zoucas.

O esquema foi identificado inicialmente na delegacia de Bangu e depois teria se estendido para a delegacia de Santa Cruz, bairros da zona oeste do Rio. As investigações mostram que uma ramificação da quadrilha foi identificada agindo também na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Niterói, na região metropolitana.

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