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Laudo aponta traumatismo craniano em morte de turista em Arraial do Cabo

Fabiane Fernandes, turista catarinense assassinada em Arraial do Cabo - Arquivo Pessoal
Fabiane Fernandes, turista catarinense assassinada em Arraial do Cabo Imagem: Arquivo Pessoal

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

22/11/2018 19h41

A turista catarinense Fabiane Fernandes, 32, morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico causado por ação contundente -- provavelmente por pedradas -- segundo concluiu o laudo necroscópico assinado pela médica legista Kesley Couto Castro, do IML (Instituto Médico Legal) de Araruama, local para o qual o corpo foi encaminhado na noite de quarta-feira (21).

Fabiane, cujo corpo foi encontrado ontem na região da Trilha da Cabocla, em Arraial do Cabo, cidade da Região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro, estava desaparecida desde o último domingo (18). Ela deixa um filho de 9 anos. A polícia trabalha com hipóteses de latrocínio e de violência sexual, segundo o delegado responsável pelo caso.

“Os ferimentos foram causados por ação contundente, provavelmente pedradas, mas não é possível garantir qual objeto foi usado [no assassinato]”, disse a médica ao UOL, por telefone.

Segundo a legista, há indícios de “provável violência sexual”. “Só será possível concluir após os exames do material coletado dentro da vagina, a fim de verificar a presença de espermatozoides. O resultado dessa análise deve sair em até dez dias”, afirmou Kesley.

Ainda de acordo com ela, o corpo já estava em estado de decomposição avançado. “A data da morte foi de, ao menos, quatro dias. Não é possível precisar o horário da morte”, declarou.

O tempo informado pela legista coincide com o último domingo --data em que a turista desapareceu e que as buscas foram iniciadas pelo Corpo de Bombeiros. A legista também declarou que o corpo ainda não foi solicitado pela família. “Até agora ninguém apareceu para retirá-lo”, declarou.

Investigações

A investigação do assassinato da empresária de Florianópolis começou após a localização do corpo. Fabiane foi encontrada por cães farejadores em meio a arbustos, a cerca de 30 metros da trilha. Ela estava sem roupas e com lesões na cabeça e no corpo --possivelmente provocadas por pedras. Pertences, inclusive o celular dela, foram encontrados próximos ao corpo, além de uma carteira vazia e documentos.

"Há suspeita, sim, de que ela tenha sofrido agressão sexual. Eu também não descarto a possibilidade de latrocínio. Neste momento, nenhuma hipótese é descartada, mas as investigações ainda são preliminares, uma vez que o trabalho de resgate [do Corpo de Bombeiros] era baseado na esperança de que ela fosse encontrada viva", disse ao UOL o delegado Renato Mariano, que comanda a 132ª DP (Arraial do Cabo).

"Mais detalhes que possam auxiliar o esclarecimento e o tipo de crime que ocorreu virão com o laudo. Até eu ter essas informações fechadas e concatenadas, não posso descartar hipótese alguma", afirmou Mariano.

Hipótese de 'assassino em série' é descartada

De acordo com o delegado, Fabiane tinha um amigo na região --ele chegou a alertar a polícia sobre o desaparecimento da turista no último domingo. O homem, cuja identidade não foi revelada, é do Sul do país, mas trabalha em Arraial do Cabo. Ainda segundo o delegado, a empresária já o conhecia antes de ter viajado.

"Ainda não tenho elementos para afirmar se [o amigo de Fabiane] é suspeito ou não", acrescentou.

Mariano disse ainda que há ao menos dois casos com características similares ao assassinato da empresária na região, mas,por enquanto, ele descarta a hipótese de que haja um criminoso em série na região.

"Não é um caso isolado. Nós ainda estamos levantando os dados, mas há ao menos dois casos parecidos na região de Arraial do Cabo durante o ano passado, em pontos diferentes", afirmou o delegado.

"Até agora, não estamos tratando desses casos como assassinatos em série. Não são apenas mulheres, por exemplo. São fatos similares, porém, cada qual com a sua peculiaridade. O que posso dizer é que se tratavam de turistas que estavam em pontos mais remotos, em locais diferentes [da região em que o corpo de Fabiane foi encontrado], com menos movimento e mais risco", completou.

A polícia também localizou imagens de Fabiane tomando café da manhã sozinha em uma loja de conveniência em um posto de gasolina antes de fazer a trilha. Nos registros, ela aparece comendo e digitando no celular, sem aparentar nervosismo. Antes de ir para a trilha, a empresária postou uma foto em sua rede social e, por volta das 11h de domingo, ficou incomunicável. Em seguida, a polícia foi acionada e o Corpo de Bombeiros iniciou as buscas.

Mariano diz que a região é considerada perigosa pelos guias locais. "Os vigias e guias que trabalham na região da trilha dizem que o local não é seguro. Muitas vezes, do alto da mata, quando visualizam alguma pessoa sozinha e em risco, vão até ela e a auxiliam, recomendando que deixem o local", finalizou.

Ainda não há informações sobre o sepultamento da empresária, que era dona de uma pousada na capital catarinense.

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