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Dono de jornal de Campinas (SP) é preso em operação contra desvios na saúde

Sylvino de Godoy, dono do jornal Correio Popular - Reprodução/YouTube/Prefeitura de Campinas
Sylvino de Godoy, dono do jornal Correio Popular Imagem: Reprodução/YouTube/Prefeitura de Campinas

Guilherme Mazieiro*

Do UOL, em São Paulo

22/11/2018 16h53Atualizada em 22/11/2018 19h16

O Ministério Público Estadual deflagrou nesta quinta-feira (22) uma operação que apura desvios na saúde em Campinas (a 93 km de São Paulo).

Entre os oito alvos com mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, está Sylvino de Godoy Neto, dono do maior jornal da cidade, o Correio Popular. Os promotores acusam o empresário de tentar usar o jornal com matérias negativas contra três vereadores que queriam investigar desvios de verbas em um hospital da cidade.

O secretário de assuntos jurídicos da prefeitura, Silvio Bernardin, também teve a prisão decretada. Ele estava em Brasília e foi preso ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Viracopos, durante a tarde. Bernardin é braço-direito do prefeito Jonas Donizette (PSB), que coordenou a campanha do governador Márcio França (PSB) e preside a FNP (Frente Nacional de Prefeitos). Na procuradoria existe um processo, sob sigilo, que apura a eventual participação de Donizette no caso.

Os promotores do Gaeco (Grupo de Autuação Especial de Combate ao Crime Organizado) investigam, há um ano, um esquema de desvio de cerca de R$ 7 milhões dos cofres públicos. A operação, que chegou na terceira fase nesta quinta-feira (22), aponta fraude em licitação, corrupção de servidores públicos da Prefeitura de Campinas, peculato e lavagem de dinheiro em um contrato com a OS (Organização Social) Vitale, que gerenciava o Hospital Ouro Verde, um dos principais do município.

De acordo com os promotores, Sylvino tentou usar o jornal para pressionar vereadores de oposição a Donizette que queriam investigar o caso na Câmara Municipal. Os vereadores envolvidos são Pedro Tourinho (PT), Marcelo Silva (PSD) e Tenente Santini (PSD).

A investigação aponta que Sylvino exerce influência sobre a administração municipal e na contratação da empresa Vitale. Em razão disso faria pressão sobre os vereadores para evitar que investigassem um esquema que beneficiaria seu filho, Gustavo Katthar de Godoy, que é médico. O MP indica que Gustavo tinha contratos superfaturados com o hospital na área de radiologia, em razão da influência do pai, e ainda assim não trabalhava na unidade.

"Agora vamos pegar ele, as merdas que ele tem e vamos chamar de capa, ver quantas pessoas ele tem no gabinete dele, e fazer uma puta matéria fodendo com ele, sabe? Largar a mão de ser filho da puta", disse Sylvino a um editor do Correio Popular sobre o vereador Tenente Santini, segundo a denúncia do MP.

A defesa de Sylvino e Gustavo negou qualquer irregularidade e disse que ambos prestaram esclarecimentos e forneceram dados à investigação quando solicitados.

Com autorização do juiz da 4ª Vara Criminal de Campinas, Caio Ventosa Chaves, os promotores do Gaeco cumpriram também 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo e em três cidades do interior: Campinas, Jundiaí e Serra Negra.

Sylvino de Godoy Neto foi levado para um hospital de Campinas ao passar mal no momento da prisão. Segundo informação da defesa, ele havia passado por uma intervenção cardíaca na segunda-feira (19).

Entre os investigados também está o empresário Thiago Pena, diretor da organização social Vitale, que administrou o hospital. O filho de Sylvino, Gustavo Kahttar de Godoy, que é médico e tinha contratos com o hospital também teve mandado de prisão expedido. Ele ainda não foi localizado.

A Operação Ouro Verde encontrou em sua primeira etapa a fortuna de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo na casa de um servidor público de Campinas, a 100 quilômetros da capital. O servidor disse, na época, que o dinheiro era "oriundo da venda da fazenda de seu tio".

A investigação aponta que um grupo por trás da organização social Vitale, que administra o Hospital Ouro Verde, usa a entidade para obter indevida vantagem patrimonial.

Outro lado

Em nota, a Prefeitura de Campinas afirmou que o Bernardin foi exonerado nesta quinta (22). "O prefeito de Campinas, Jonas Donizette, exonera hoje do cargo de secretário de Assuntos Jurídicos, Silvio Bernardin, a pedido do mesmo, para exercer o direito inalienável de todo cidadão garantido pela Constituição Federal de exercer o amplo direito de defesa. A Prefeitura de Campinas reitera, de forma veemente, sua disposição de contribuir com a Justiça, como tem feito desde o início das apurações, tomando medidas administrativas assertivas, sempre diante dos fatos."

A defesa de Sylvino de Godoy Neto afirmou que a prisão não se justifica. O advogado Ralph Tortima Stettinger Filho, que defende o diretor-presidente do Grupo RAC, afirmou que todos os fatos que embasaram a medida contra seu cliente já eram conhecidos antes da deflagração da primeira fase da operação e que as prisões não se justificam. Segundo os advogados, Godoy e o filho Gustavo sempre prestaram informações e forneceram dados para as investigações.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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