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Polícia suspeita de latrocínio e violência sexual contra turista no RJ

Fabiane Fernandes, turista catarinense assassinada em Arraial do Cabo - Arquivo Pessoal
Fabiane Fernandes, turista catarinense assassinada em Arraial do Cabo Imagem: Arquivo Pessoal

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

22/11/2018 15h46

A Polícia Civil do Rio de Janeiro trabalha com as hipóteses de latrocínio (roubo seguido de morte) e violência sexual no caso do assassinato da turista catarinense Fabiane Fernandes, 32, cujo corpo foi encontrado na quarta-feira (21) na região da Trilha da Cabocla, em Arraial do Cabo, cidade da Região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro. Desaparecida desde o último domingo (18), ela deixa um filho de 9 anos.

A investigação do assassinato da empresária de Florianópolis começou após a localização do corpo. Fabiane foi encontrada por cães farejadores em meio a arbustos, a cerca de 30 m da trilha. Ela estava sem roupas e com lesões na cabeça e no corpo --possivelmente provocadas por pedras. Pertences, inclusive o celular dela, foram encontrados próximos ao corpo, além de uma carteira vazia e documentos. 

“Há suspeita, sim, de que ela tenha sofrido agressão sexual. Eu também não descarto a possibilidade de latrocínio. Neste momento, nenhuma hipótese é descartada, mas as investigações ainda são preliminares, uma vez que o trabalho de resgate [do Corpo de Bombeiros] era baseado na esperança de que ela fosse encontrada viva”, disse ao UOL o delegado Renato Mariano, que comanda a 132ª DP (Arraial do Cabo).

Segundo ele, um laudo necroscópico que deve determinar a causa da morte deve sair em torno de dez dias. “Mais detalhes que possam auxiliar o esclarecimento e o tipo de crime que ocorreu virão com o laudo. Até eu ter essas informações fechadas e concatenadas, não posso descartar hipótese alguma”, afirmou Mariano.

Post publicado por Fabiene Fernandes antes de ser assassinada em trilha - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Post publicado por Fabiene Fernandes em rede social antes de ser assassinada
Imagem: Arquivo Pessoal

Hipótese de 'assassino em série' é descartada

De acordo com o delegado, Fabiane tinha um amigo na região --ele chegou a alertar a polícia sobre o desaparecimento da turista no último domingo. O homem, cuja identidade não foi revelada, é do Sul do país, mas mora e trabalha em Arraial do Cabo. Ainda segundo o delegado, a empresária já o conhecia antes de ter viajado.

“Ainda não tenho elementos para afirmar se [o amigo de Fabiane] é suspeito ou não”, acrescentou.

Mariano disse ainda que há ao menos dois casos com características similares ao assassinato da empresária na região, mas, por enquanto, ele descarta a hipótese de que haja um criminoso em série na região.

“Não é um caso isolado. Nós ainda estamos levantando os dados, mas há ao menos dois casos parecidos na região de Arraial do Cabo durante o ano passado, em pontos diferentes”, afirmou o delegado.

“Até agora, não estamos tratando desses casos como assassinatos em série. Não são apenas mulheres, por exemplo. São fatos similares, porém, cada qual com a sua peculiaridade. O que posso dizer é que se tratavam de turistas que estavam em pontos mais remotos, em locais diferentes [da região em que o corpo de Fabiane foi encontrado], com menos movimento e mais risco”, completou.

Imagem de circuito interno mostra Fabiane sozinha tomando café da manhã antes de desaparecer - Reprodução - Reprodução
Imagem de circuito interno mostra Fabiane sozinha tomando café da manhã antes de fazer a trilha
Imagem: Reprodução

A polícia também localizou imagens de Fabiane tomando café da manhã sozinha em uma loja de conveniência em um posto de gasolina antes de fazer a trilha. Nos registros, ela aparece comendo e digitando no celular, sem aparentar nervosismo. Antes de ir para a trilha, a empresária postou uma foto em sua rede social e, por volta das 11h de domingo, ficou incomunicável. Em seguida, a polícia foi acionada e o Corpo de Bombeiros iniciou as buscas.

Mariano diz que a região é considerada perigosa pelos guias locais. “Os vigias e guias que trabalham na região da trilha dizem que o local não é seguro. Muitas vezes, do alto da mata, quando visualizam alguma pessoa sozinha e em risco, vão até ela e a auxiliam, recomendando que deixem o local”, finalizou.

Ainda não há informações sobre o sepultamento da empresária, que era dona de uma pousada na capital catarinense.

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