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Menino de 2 anos ganha até uniforme para recepcionar "amigos" garis em BH

Arquivo pessoal
Caio e "os amigos", coletores de lixo da sua rua no bairro Nossa Senhora da Glória, em Belo Horizonte (MG) Imagem: Arquivo pessoal

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

03/12/2018 20h28

É só ouvir o barulho do caminhão de lixo no começo da rua que Caio Henrique Gonçalves, 2, veste seu uniforme laranja e corre para o portão de casa para encontrar com Charles, Thiago, Everton e Mauro, os garis da sua rua no bairro Nossa Senhora da Glória, zona noroeste de Belo Horizonte (MG).

Sua mãe, Raquel Silva, 31, conta ao UOL que as terças, quintas e sábados (dias de coleta) são especiais para Caio desde o primeiro ano de vida, quando o barulho do motor do caminhão já chamava sua atenção, e “os amigos”, como ele chama os coletores de lixo, já o recepcionavam na varanda de casa.

“Quando eles passam, eu sempre estou trabalhando ou fazendo alguma coisa, e eu tenho que parar tudo porque o Caio escuta o caminhão primeiro que eu e eu tenho que levar ele na varanda. Eles chegam já buzinando, chamam ele de ‘amigão’”, conta a autônoma, casada com o promotor de vendas e pai do Caio, Paulo Henrique, 33.

Arquivo pessoal
Caio vestido com seu uniforme de coletor de lixo Imagem: Arquivo pessoal

Mas agora, Caio se veste a caráter para receber os garis. Ele ganhou seu próprio uniforme de coletor. Depois de ver uma reportagem na televisão em que um menino também recepcionava os coletores de lixo, mas com um uniforme, Caio começou a chorar e pedir a camisa, calça e o par de luvas iguais aos dos seus amigos.

“Ele chorava e pedia o uniforme e eu respondia: ‘mas onde que a mamãe vai arrumar uma roupa dessas?’. Liguei para minha mãe, que é costureira, e ela fez a roupa”. Quando o uniforme chegou, Caio logo o vestiu e a tensão, ela conta, foi outra: “estava um calor da peste e ele queria vestir a roupa e dormir com a roupa”.

Na primeira vez em que Caio foi uniformizado ao encontro dos seus amigos, sua mãe registrou o momento em um vídeo e divulgou no Facebook. A publicação fez sucesso: são mais de 39 mil interações, 74 mil compartilhamentos e 2,4 milhões de visualizações.

Para Raquel, seu filho valorizar uma profissão que é tantas vezes desdenhada no Brasil é motivo de orgulho.

“Eu nunca vi diferença entre um gari e um advogado. Eu fico grata e muito feliz porque acredito num país melhor através da educação. Assim que a gente pode tentar mudar um pouquinho, pra mim é uma coisa normal o Caio ter recebido eles assim.”

Finalizado o expediente registrado no vídeo, Caio se despediu de Charles, Thiago, Everton e Mauro, entrou em casa, tirou as luvas e, orgulhoso, disse: “viu, mamãe, Caio trabalhou”. “Aí eu comecei a chorar”, conta a mãe