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Número de ataques no CE passa de 90 e polícia anuncia mais de 100 prisões

05.jan.2019 - Jarbas Oliveira/Folhapress
Bombeiros tentam conter incêndio em um imóvel do Sistema Nacional de Emprego (SINE) que servia de arquivo no bairro Barra do Ceará, na periferia de Fortaleza Imagem: 05.jan.2019 - Jarbas Oliveira/Folhapress

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

2019-01-06T09:03:23

2019-01-06T15:43:51

06/01/2019 09h03Atualizada em 06/01/2019 15h43

Desde o início de uma onda de ataques violentos no Ceará na quarta-feira (2), ao menos 103 pessoas foram detidas ou apreendidas por forças de segurança. As ações criminosas continuam e já somam mais de 90 casos, segundo a Polícia Civil. Foram registrados incêndios ônibus e veículos particulares, depredação de prédios públicos e estabelecimentos comerciais e até a tentativa de explosão de um viaduto. 

As detenções de suspeitos ocorreram entre quarta-feira (2) e a noite de sábado (5), segundo nota divulgada pela SSPDS (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social) na manhã deste domingo (6).

Desde sábado (5), as forças estaduais de segurança contam com o apoio de 300 agentes da Força Nacional, que ficarão no estado por ao menos 30 dias. Durante as primeiras horas de apoio da tropa federal, 53 pessoas foram detidas, segundo a Secretaria da Segurança. 

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que realiza blitze em pontos estratégicos da capital Fortaleza e que policiais estão viajando em ônibus municipais para evitar que sejam atacados.

"Após o início da operação realizada pela Polícia Militar do Ceará (PMCE), no interior dos coletivos na Grande Fortaleza, nenhum ônibus foi incendiado na Capital e Região Metropolitana desde o início da noite de sexta-feira", informou, em nota oficial, a secretaria.

"Nos flagrantes realizados até agora, foram apreendidas armas de fogo, entre elas um fuzil mosquefal, munições, galões de gasolina e coquetéis molotovs [bombas incendiárias]", afirmou a pasta. 

Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde de sábado (5), o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou que a onda de ataques tem como objetivo fazer com que o governo recue de medidas "duras e necessárias" que tem adotado. "O que não há nenhuma possibilidade de acontecer. Pelo contrário: endureceremos cada vez mais contra o crime", afirmou. 

De acordo com a secretaria, o policiamento também está reforçado nos terminais de ônibus e nos principais corredores comerciais e bancários. De 1.810 ônibus urbanos e 350 ônibus metropolitanos, apenas 108 estão operando neste domingo (6). O mesmo ocorreu ontem. Em cada um deles, há três policiais de prontidão. 

Ataques e possível motivação

Desde a noite de quarta-feira (2), suspeitos não identificados incendiaram veículos, atacaram estabelecimentos comerciais e tentaram explodir a coluna de sustentação de um viaduto - que acabou sendo interditado. Durante os ataques, o governo registrou apenas um morto, em um suposto confronto com a polícia.

Segundo investigações em andamento, os ataques estariam sendo realizados por criminosos organizados. As três facções que atuam no Ceará --PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e GDE (Guardiões do Estado)-- teriam se unido com o objetivo de retaliar declarações do secretário da Administração Penitenciária estadual recém-empossado, Luis Mauro Albuquerque.

O secretário afirmou durante não reconhecer o poder das facções no estado e disse que o Ceará passaria a deixar de dividir presos de facções rivais em unidades prisionais diferentes. Até o fim do ano passado, membros do PCC ficavam reclusos dentro da CPPL 3 (Casa de Privação Provisória de Liberdade 3). Integrantes da GDE, que são aliados do PCC no Ceará, eram levados para a CPPL 2. E os criminosos ligados ao CV, nas CPPLs 1 e 4. Nas quatro unidades também existem presos que não têm ligação com nenhuma facção criminosa.

Desde quinta-feira (3), 113 homens presos da CPPL 3, onde predomina membros do PCC, foram indiciados por desobediência, resistência e motim, sob a suspeita de terem ligação direta com os ataques ocorridos em Fortaleza e região metropolitana. Segundo a SSPDS, mais de 250 detentos devem ser autuados por envolvimento nos ataques recentes até os próximos dias. 

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