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Vigilância Sanitária diz ter achado césio-137 em Arapiraca, mas volta atrás

Divulgação/Prefeitura de Arapiraca
Cápsula com césio 137 é encontrada em Arapiraca, no estado de Alagoas Imagem: Divulgação/Prefeitura de Arapiraca

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

2019-01-22T22:55:42

2019-01-23T14:37:34

22/01/2019 22h55Atualizada em 23/01/2019 14h37

A Vigilância Sanitária de Arapiraca (AL) informou que recolheu uma cápsula de raio-X contendo césio-137 na tarde desta terça-feira (22) em um ferro-velho, após denúncias anônimas. Na manhã desta quarta (23), porém, o órgão voltou atrás e declarou que a cápsula não continha o elemento radioativo.

Aparentemente, a peça não foi manipulada, nem aberta. A 130 quilômetros de Maceió e com cerca de 200 mil habitantes, Arapiraca correu o risco de repetir a tragédia de 1987 em Goiânia, quando catadores de lixo manipularam uma cápsula similar e contaminaram centenas de pessoas com material radioativo.

Na ocasião, catadores de lixo desmontaram um aparelho de radioterapia e venderam uma cápsula, similar à encontrada hoje, para um ferro-velho em Goiânia. Desmontada, a cápsula liberou césio-137, substância radioativa que ocasionou o maior acidente radioativo fora de uma usina nuclear da história. Quatro pessoas morreram e centenas ficaram com sequelas.

Nesta quarta, porém, a presença de césio-137 na cápsula encontrada em Arapiraca foi descartada. "A Vigilância Sanitária de Arapiraca vem a público esclarecer que, após análise do material apreendido na tarde desta terça-feira (22), em um ferro-velho de Arapiraca, ficou constatado que não contém Césio - 137, como informado anteriormente", informou a Vigilância em nota.

Enredo parecido

O proprietário do ferro-velho de Arapiraca disse à Vigilância Sanitária que a cápsula fazia parte de um aparelho de mamografia. Ainda não se sabe a quem o aparelho pertencia, nem há quanto tempo a cápsula estava no ferro-velho.

A cápsula estava intacta, mas o objeto deveria ter sido descartado por empresa especializada em lixo radioativo devido ao perigo de contaminação.

A Polícia Civil vai apurar as responsabilidades e como o objeto chegou ao ferro-velho.

"Se a empresa que fez o descarte incorreto for identificada, poderá responder criminalmente pelo fato de ter colocado a comunidade em risco", informou a Vigilância Sanitária da cidade.

A Vigilância Sanitária disse que o material foi recolhido e não apresentou riscos à população porque estava intacto. "A cápsula estava fechada, não tem perigo nenhum. Se tivesse sido aberta, as pessoas correriam risco de contaminação. Conseguimos evitar uma tragédia como a que houve em Goiânia há 31 anos", afirmou o coordenador da vigilância sanitária, Edilson Melo.

Acidente em Goiânia

No vazamento em Goiânia há 31 anos, cerca de mil pessoas foram colocadas no estádio para receber atendimento médico e não contaminar mais pessoas.

Bombeiros, policiais e outros profissionais envolvidos no socorro das vítimas também tiveram complicações de saúde. Até hoje as pessoas que tiveram contato o material radioativo passam por tratamento médico.

Muitos desenvolveram doenças como câncer de mama, leucemia, hipertensão e outros distúrbios. O acidente foi classificado como nível 5 (acidentes com consequências de longo alcance) na Escala Internacional de Acidentes Nucleares -- que vai de zero a sete.

A contaminação em Goiânia pelo césio-137 é até hoje o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora de usina nuclear.

Errata: o texto foi atualizado
23/01/2019 às 12h39
Diferentemente do que informou a versão inicial desta matéria, não havia césio-137 na cápsula encontrada em Arapiraca. A informação foi corrigida.