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Crescem apreensões na fronteira; é "mixaria", afirma ex-secretário de FHC

Patrulha do Exército Brasileiro durante bloqueio em estrada vicinal da BR-364, na cidade de Nova Mamoré (RR), durante a Operação Ágata - 19.mai.2013 - Fabio Braga/Folhapress
Patrulha do Exército Brasileiro durante bloqueio em estrada vicinal da BR-364, na cidade de Nova Mamoré (RR), durante a Operação Ágata
Imagem: 19.mai.2013 - Fabio Braga/Folhapress

Aiuri Rebello, Flávio Costa e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

20/02/2019 04h00

Resumo da notícia

  • UOL obtém dados que apontam alta na apreensão de armas e drogas nas fronteiras
  • As fronteiras são estratégicas para o crime organizado como entrada de mercadorias
  • Para especialistas, apreensões são muito poucas e mostram falta de estrutura

Armas e drogas, principais mercadorias do PCC (Primeiro Comando da Capital) e outras facções, costumam entrar no Brasil por meio das fronteiras com países vizinhos -- por terra, mar e ar. Nos últimos anos, após investigações federais e do estado de São Paulo, houve reforço em locais estratégicos dos quase 17 mil km de limite que o Brasil tem com outras 10 nações vizinhas.

Desde 2011 o governo federal implementou a Operação Ágata, para intensificar a presença do Estado na faixa de fronteira e a integração com outros órgãos federais, estaduais e municipais. De acordo com dados obtidos pelo UOL através da LAI (Lei de Acesso à Informação), de 2017 a 2018, quase triplicou o número de armas apreendidas: de 66 para 195.

A quantidade é uma mixaria. Em 2017, só no Rio de Janeiro foram 100 armas apreendidas. Isso mostra alguns desafios de trabalhar na fronteira, a dificuldade na contenção. O Brasil tem, em tese, mais de 100 toneladas de cocaína entrando por ano, ou seja, o Brasil é um grande corredor do tráfico de drogas. Metade da cocaína é reexportada. Se vê poucas apreensões. É necessária infraestrutura sofisticada. Precisamos de investimentos.
Coronel reformado da PM-SP José Vicente da Silva Filho, secretário de segurança no governo FHC

    De acordo com o Ministério da Defesa, a operação foi reformulada em 2017, passando a ter caráter de curta duração e fracionada durante o ano "com o propósito de ser mais imprevisível para o crime organizado". Segundo o ministério, o método tornou as ações mais eficazes.

    A fronteira é um dos grandes problemas de segurança do Brasil hoje. Esse indicador, que aponta essas apreensões é essencial para a realização de políticas públicas a respeito. O número de apreensões me parece baixo referente ao que é apreendido em portos e operações no Rio de Janeiro, por exemplo. Ou seja, isso denota uma deficiência da fiscalização grave. Até porque a polícia na fronteira tem déficit de pessoas.
    Rafael Alcadipani, professor de gestão pública da Fundação Getúlio Vargas

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    A fronteira e o crime

    As fronteiras são utilizadas de norte a sul do país pela principal facção criminosa do Brasil, o PCC. São entradas para drogas, sobretudo a cocaína, que atravessam o país até os portos do Nordeste, Sudeste e Sul, e depois enviadas para Europa e África.

    Só no ano de 2016, a Receita Federal e a PF (Polícia Federal), em operações conjuntas, encontraram e apreenderam 15 toneladas da droga em contêineres nos portos do país. A quantia é nove vezes maior do que o que foi apreendido nos principais aeroportos do país (1,6 tonelada). Ou seja, é droga que conseguiu primeiramente entrar no Brasil, para então seguir à exportação. A operação Ágata quantificou os quilos de drogas apreendidos nos últimos anos nas fronteiras:

    • 2011: 2.358 kg
    • 2012: 9.443 kg
    • 2013: 19.573 kg
    • 2014: 36.727 kg
    • 2015: 3.930 kg
    • 2016: 11.325 kg
    • 2017: 14.322 kg
    • 2018: 16.456 kg 

    Confira, abaixo, as quantidades de armas apreendidas ano a ano:

    • 2011: 58
    • 2012: 48
    • 2013: 93
    • 2014: 30
    • 2015: 60
    • 2016: 168
    • 2017: 66
    • 2018: 195

    Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola

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