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"Ele foi muito forte, resistiu enquanto deu", diz viúva de maquinista no RJ

27.fev.2019 - Rodrigo Assumpção foi retirado desacordado após ficar sete horas peso em ferragens - ELLAN LUSTOSA/ESTADÃO CONTEÚDO
27.fev.2019 - Rodrigo Assumpção foi retirado desacordado após ficar sete horas peso em ferragens Imagem: ELLAN LUSTOSA/ESTADÃO CONTEÚDO

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

28/02/2019 10h43

Menos de 24 horas depois da morte do maquinista da SuperVia Rodrigo da Silva Ribeiro Assumpção, a mulher dele, Jessui Correia Assumpção, diz não ter apagado da memória as imagens do resgate do marido das ferragens após colisão entre dois trens na zona norte do Rio de Janeiro. 

28.fev.2019 - Viúva de maquinista e filhos no IML - Gabriel Sabóia/UOL - Gabriel Sabóia/UOL
28.fev.2019 - Viúva de maquinista e filhos no IML
Imagem: Gabriel Sabóia/UOL

"Foi muito sofrimento, muito sofrimento [ver aquelas cenas]", limitava-se a dizer na manhã de hoje no IML (Instituto Médico Legal), onde foi cuidar da liberação do corpo. Rodrigo será enterrado às 17h30 no Jardim da Saudade em Sulacap, na zona oeste carioca.

Os trabalhos dos bombeiros, acompanhados por mais de sete horas, e a posterior tentativa de reanimação do maquinista na plataforma da estação São Cristóvão, de acordo com Jessui, deixaram traumas, mas mostraram a vontade dele em seguir vivo. Para ela, o apego à família o fez resistir enquanto pôde. Além da mulher, ele deixa dois filhos de 17 e 18 anos.

Ele foi muito forte, muito forte mesmo, resistiu enquanto deu. Mas Deus quis assim.

Jessui Correia Assumpção, viúva do maquinista

Rodrigo trabalhava há 11 anos da Supervia e, há cinco anos, atuava como maquinista. De acordo com Jessui, ele sonhava com uma promoção para supervisor. "Às vezes ele dizia que queria isso, às vezes dizia que não queria, já que o supervisor tem uma rotina muito atribulada. Ele amava trabalhar, mas gostava mais de voltar para casa", explica.

Maquinista morre após mais de 7 horas preso a ferragens de trens

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De acordo com ela, o marido nunca relatou problemas operacionais dos trens ou falhas técnicas dos maquinários. Nos últimos dias, ele falava mais das férias que tiraria em maio. O casal pretendia viajar para o Rio Grande do Sul e já havia comprado passagens, além de reservar a estadia.

"Nosso último diálogo foi na terça-feira à noite. Estou fazendo um tratamento médico e precisava ter ido para o hospital tomar o remédio, mas fiquei com preguiça e não fui. Ele ficou chateado comigo por querer me ver bem logo. Pensa numa pessoa boa... Era ele", relata.

A SuperVia informou que vai arcar com os custos do sepultamento e assistência à família. De acordo com a concessionária, os dois trens envolvidos no acidente estavam equipados com ATP (Automatic Train Protection), sistema que reforça a sinalização.

O governador Wilson Witzel (PSC) determinou que a Secretaria de Transportes investigue o caso. A Agetransp também iniciou uma apuração paralela.

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